Esses dias eu estava em uma roda de amigos conversando sobre a pressão que colocamos sobre nós mesmos quanto a não fazer algo “produtivo” e as maneiras que encontramos de levar a vida em relação a isso.

O mais engraçado é que dias depois eu acabei lendo um texto no Papo de homens que falava sobre duas maneiras de levar a vida. Eles inclusive usaram uma metáfora para exemplificar muito bem isso que era, a mentalidade do carona e do motorista. Vou deixar o link aqui caso você queira algo mais detalhado:

Duas maneiras de levar a vida: a mentalidade do carona e do motorista

Duas maneiras de levar a vida: A mentalidade do motorista e a do carona

Assista ao vídeo:

Como se eu estivesse procurando por aquilo, o texto despretensiosamente apareceu em frente aos meus olhos. Logo a reflexão que havia parado na mesa, na roda com os amigos, acabara de recomeçar.

A pressão que falei acima acontece em todos os âmbitos de nossas vidas, pode ser na parte profissional, como: “eu devia ter me esforçado mais, hoje eu estaria melhor…”.

Pode ser no âmbito amoroso, do tipo: “se eu tivesse insistido mais, talvez estivesse com o meu grande amor.”

Visão do motorista e a do carona

Para não nos estendermos muito por aqui, vou simplificar para você a visão sobre o motorista e sobre o carona, mas quero mesmo que você leia o texto que deixei acima.

A visão do motorista é basicamente relativa as pressões que eu acabei de falar. É você entender que tem o controle sobre praticamente tudo na sua vida. E tudo isso só depende de você, do seu esforço. Você está, de alguma forma, no controle.

Já a segunda é o oposto. Você entende que não dá para mudar o destino e que tem que ser grato por estar vivo. Encarar os problemas como algo inevitável e que eles são passageiros.

Simples não é mesmo? Mas as reflexões não param…

Como essas maneiras de encarar a vida de fato nos afetam?

duas maneiras de encarar a vida 2-min

Há de fato inúmeros argumentos sobre as duas maneiras de encarar a vida que citei acima. Inclusive há pesquisas que apontam que problemas como depressão, estresse e ansiedade ocorrem com maior frequência em pessoas que creditam seus fracassos a elas mesmas.

Bom, isso a Pati pode falar melhor já que ela é a psicóloga do casal, mas ao meu ver de leigo, isso faz muito sentido. Afinal, já passei por problemas assim e ainda há reflexos disso.

É realmente complicado você viver sobre a sua própria pressão sobre não falhar. E mais uma vez a história acaba em mim. Porque eu sempre fui um dos melhores alunos. Eu sempre tive a facilidade em aprender. Tenho habilidades motoras que a maioria das pessoas não tem (e arrogância, né!?). E isso me faz ser especial? Não, mas por muito tempo eu acreditei que sim ou me fizeram acreditar que sim.

Por isso, há uma cobrança incrustada em mim de anos e talvez você possa passar pelo mesmo problema que eu. Não necessariamente desse jeito, mas pode ser que você seja a esperança de alguém ou de você mesmo. Pode ser que alguém esteja depositando em você todas as frustrações dela em relação a realização de algo. Acredite, isso é mais comum do que pensamos.

Talvez por isso eu sempre me cobrei de mais. Eu queria ser o melhor em tudo. Foi extremamente duro viver sobre essas duas pressões. A cobrança das pessoas, juntamente com a minha. Não é foi fácil mudar algo que era absoluto em mim.

A verdade é que isso me fez sofrer por muito tempo, porque eu via as outras pessoas realizando coisas das quais eu me via obrigado a realizar. Então eu começava a arrumar desculpas, o que fazia com que eu me sentisse ainda pior.

Quando você inventa uma desculpa ou uma mentira para você mesmo, uma hora você percebe que está fazendo aquilo apenas para não se sentir um lixo. Mas é justamente nesse momento de percepção que esse sentimento se maximiza.

Afinal, o que fazer com esse sentimento?

Se a vida fosse simplesmente meritocracia, não existiria tanta injustiça, mas a verdade é que não é. Quando eu percebi que minhas desculpas na verdade tinham fundamento ou um pouco de razão, eu tirei parte do peso que havia em minhas costas.

Eu disse parte, porque não é assim tão simples. A gente se cobra mesmo! Se cobra para trabalhar mais, se cobra para emagrecer, se cobra para fazer mais coisas, se cobra até para dormir menos.

O que eu queria realmente dizer para você é que a vida não pode ser encarada como o motorista, muito menos como o passageiro. Tem que ser o misto dos dois. Porque se você for apenas o passageiro, haverá momentos em que a vida te exigirá um pouco mais de tesão, de brio, de vontade.

Já por outro lado, se você for o motorista, há momentos em que os engarrafamentos te deixarão furioso, estressado e com uma sensação gigantesca de frustração. Mas lembre-se, os engarrafamentos acontecem com ou sem você. Infelizmente não temos o controle de tudo em nossas vidas. Somos responsáveis sobre algumas coisas, não sobre todas.

Então, tire um pouco do peso de seus ombros. Dirija, mas também aproveite a paisagem.

 

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