A culpa não é da mulher

Querida, eu sei que você já deve ter escutado várias vezes isso, mas vamos lá, vou dizer mais uma vez: a culpa não é sua. Não foram as suas roupas. Não foram as suas fotos. Não foi a sua forma de descobrir e dar vazão à sua sexualidade.

Não foram suas brincadeiras em posar segurando armas de fogo. Tudo isso foi apenas a maneira que você encontrou de fazer parte de uma tribo, de sentir-se parte de algo maior. Afinal, você cresceu vendo isso em filmes e videoclipes, cheios de pirotecnia.

Mergulhou na fantasia. Quem nunca? É normal experimentar, testar, tentar copiar. “Nada se cria”, não é mesmo? Todas nós já nos pegamos vez ou outra imitando estrelas.

Você estava apenas sendo livre. Ou buscando uma liberdade almejada, uma liberdade que lhe foi vendida como sendo a única possível e real. Quem pode julgar se você estava errada? Ninguém, querida. Absolutamente, ninguém.

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Será que você já não se julgou e condenou o suficiente?

Será que nessa busca desesperada por ajuda você já não abriu demais seu coração a pessoas que não conhecem a dinâmica de um coração forte, porém dilacerado?

Sim, eles querem te ajudar. Mas será que você precisa de toda essa ajuda? Está dentro de você, você sabe disso. A iluminação, o Reino de Deus, a paz, o amor, a compreensão… Tudo aí dentro. Tudo dentro desse coração moído por tantas entregas, mas com uma capacidade ímpar de se regenerar.

Nesse instante você merece sabe o que? Você merece um abraço. Você merece ser ouvida, mesmo que “não fale nada com nada”, conforme as pessoas costumam rotular. Você merece que segurem a sua mão. E que compreendam que você se assuste mesmo com uma mão segurando a sua.

Andando pelas ruas e vendo os casais de mãos dadas você se questiona se algum dia acontecerá novamente a você. Uma mão que não só se dê a ser segurada, mas que se entregue à cumplicidade.

“Partners on crime”, mesmo que o único crime seja um fim de semana mergulhados em séries, jogados no sofá, com besteirinhas e seus corpos para beliscar.

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Ah, menina, você merece tanto um abraço…

Apenas não se sinta na obrigação de ser abraçada por quem só vê em você uma alma ferida. Você é bem mais do que um pássaro frágil ferido.

Aliás, cá entre nós, você é apenas uma águia com uma feridinha na asa. Totalmente passível de alçar longos vôos, mesmo com algumas penas perdidas.

Recorra aos abraços daqueles que te enxergam como um ser completo, mesmo que fragmentado. Abraços de quem vê a menina, mas também a mulher.

Entregue-se primeiramente ao caloroso abraço do seu próprio eu, aquele que te conhece melhor do que ninguém. Olhe seus olhos no espelho e veja que a trajetória foi longa, mas produtiva, que os ensinamentos vieram tortos, mas surtiram efeito.

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Olha menina, você conhece as respostas

Não deixe as dúvidas momentâneas roubarem de você tudo que você aprendeu. E continue lembrando: não foi sua culpa. E mesmo aquilo de fato tenha sido, a conjugação verbal é o sinal: já foi, passou, acabou, passado, finito.

Prefiro falar em responsabilidade. E essa vem com o aprendizado e a descoberta. Você se descobriu. Gostou de algumas coisas nessa jornada, de outras nem tanto. Mas perdoe-se. Você é única e ao mesmo tempo só mais uma: humana.

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