A gente nunca sabe o quanto dói, até doer

A gente nunca sabe o quanto dói. Até doer. E está doendo.

Não queria mais falar em ausência, saudade, mas é tudo o que me define. E só preciso me estabilizar, estudar, amar meu novo emprego, escrever pra terminar minhas histórias. E o que fiz? Pintei minhas unhas de vermelho e me depilei.

Tomei um banho demorado e coloquei a roupa dos passeios de domingo. Merda, isso também te lembra, era assim que me vestia quando queria uma transa rápida no carro.

Não tive coragem de sair. Coloquei o pijama, sentei no sofá e assisti algo sobre culinária. Não quero sexo, mas queria teu corpo grande, cobrindo o meu tão minúsculo. Queria pele, língua, suor.

E não tenho. E essa noite tudo dói e é barulhento. A gente não sabe, até acontecer.

Até o sofá ficar imenso e espaçoso. Até na mesa de jantar estar um prato. Até na fila do cinema, ser o único ímpar, porque todo o resto é par. Até ver que a escova de dente não tem companhia. E você também não.

A gente nem imagina. Até ser realidade.

Real o adeus. A despedida. A saudade, que volto a falar e a reclamar, porque ausência é coisa séria e vira fantasma, vira dor.

E a gente nem sabe o quanto dói.

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