All Star

Eram ruas antigas, com um novo sentimento nascendo. Caminhamos observando casas que contavam histórias e pessoas tentando renascer todos os dias. E continuamos sem saber que iríamos chegar tão longe.

Fomos em lugares que sempre serão cúmplices do nosso segredo. Eles viram o primeiro encontro, o primeiro beijo meio desajeitado. Viram o começo de algo que não terá fim. Talvez uma ou duas despedidas. Não um fim. Haverá reencontro.

Abrimos mão de sonhos e de toda parte em que acreditamos ser leal. Gritamos uma saudade que não sanava com garrafas de vinho seco.

Tentamos evitar. Tentamos esquecer. Tentamos inventar uma desculpa pra não lembrar o que se sentia. E perdemos o sono. A alegria. O sentido.

É um ato corajoso admitir que se esteja apaixonado. E mais, acolher alguém que há pouco era quase um desconhecido, é difícil.

E eu que sempre fui um menino corajoso, preferi, por alguns dias, enfrentar ressacas a encarar um dito amor.

Usava ainda meu All Star tradicional, calça rasgada, óculos e cabelo bagunçado. Lendo livros diferentes do comum, me via chorando e triste, pensando em uma história que ficaria em minha vida como um segredo.

Então, num impulso de solidão fui a teu encontro e te abracei. E senti que nada havia perdido. Apenas continuava proibido e em segredo.

Mas, continuo usando meu All Star e caminho pra te encontrar. Haverá nosso tempo. Nossa história completa. Não se pode ir embora de alguém que nos faz sentir especial. E eu não posso ir.

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Liliane Maria Inácia. Amante de café, frio, livros, filmes dramáticos e fotos reveladas. Associo músicas a momentos e escrevo sobre todas as coisas que me (ins)piram.