Carta de uma Ariana à um Virginiano

Carta de uma Ariana à um Virginiano

Faz o café do seu jeito hoje, que acordei atrasada. Não sei se é direito o que eu estou fazendo, mas simplesmente não me sinto mais tão ligada a você. Toma cuidado com o chuveiro, o registro tá dando choque e não quero chegar com minha casa cheirando a morte e vapor d’água. Já basta o nosso relacionamento morto por aqui. Mas quero deixar bem claro: o culpado foi você…

Agora você deve tá com aquele riso sarcástico que eu tanto odeio (e que você sabe disso). Mas a verdade é essa. Tira todas aquelas porcarias veganas que você chama de comida da minha geladeira, que eu quero espaço pros meus vinhos e champanhas (CHAMPANHA SIM!).

Você nunca me quis como eu sou

Sempre procurou uma mulher que fosse à sua maneira. Nem que pra isso precisasse muda-la. Me fez quase desistir de tudo o que sou para viver a “sorte de um amor tranquilo”. Me fazia esquecer a champanha do ano novo para tomar água de berinjela com limão – pelo amor de Deus leva essa droga também, porque nem o Luke consegue tomar isso –. Me fazia usar sapatilha quando eu tava com o vestido que pedia salto, e tirava a carne da minha mão no churras da família! E me pedia pra fazer amor, quando na verdade o que eu queria era foder. E isso você não faz. Você não sabe foder.

Nem a barba você faz, quanto mais foder.

Vê se compra uma gilete para limpar essa cara e procura um emprego. Porque você não vai conseguir viver das suas miçangas e artesanatos pra sempre. E vamos combinar? Esse seu jeito de boas de ser, é de boas demais pra mim. Nenhuma briga. Nunca uma expulsão de casa a pontapé, uma faca apontada, uma DR, nada. Pode vir com esse riso sarcástico de novo. Mas as brigas existem para que se possa fazer as pazes, para que o amor volte pro corpo com a mesma intensidade de uma paixão.

Prefiro ver alguém cortando os pulsos por mim do que você toda a tarde na rede dedilhando (mal) o violão (o mais desafinado da Vila Madalena).

Sai de fininho, do mesmo jeito que entrou, que a partir de hoje vou enterrar com cachaça e putaria você e meu passado. Separei umas malas pra você ajeitar suas coisas. Só tem uma cueca, uma blusa e uma calça no sofá que é pra você vestir, mas é bom lavar tudo, o Luke deve ter deitado nelas. Não volta, porque há a possibilidade de hoje mesmo levar um negão do samba pra casa. Ah, mas em nome de todo o nosso amor, fiz um favor pra você: quebrei teu violão.

Vê se aprende e vá se foder, Bia.

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