Resiliência

Ter resiliência: a importância de saber lidar com as emoções

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Ter resiliência: a importância de saber lidar com as emoções

Dia desses briguei com uma amiga, dessas brigas que não têm sentido ou por que haver de ser, mas houve. E covarde como qualquer outro ser humano implicante, resolvi trata-la com frieza, sem calor para gentilezas ou indicações de filmes no Netflix.

Quando não compreendemos uma pessoa, nossa primeira atitude é tomarmos uma posição implicante. Porque não queremos admitir para nós mesmos que o problema sou EU e não o outro (outra, no meu caso). E quando tomamos esta atitude, há só o desassossego no peito. Ou qualquer outra parte do corpo em que queira centrar os teus sentimentos.

Tão controversos são esses bichinhos andrógenos que são as emoções que quando queremos uma coisa, nos dá outra, e quando queremos a outra, temos uma. Explico: quando decidi tratar com frieza uma pessoa, esperava que a minha indiferença fosse suficiente para que ela voltasse a falar comigo, ter sentido a minha falta. E o que obtive foi justamente ao contrário.

Quando na verdade deveria ter continuado a regar uma amizade ou qualquer outro amor que poderia ter saído de nós dois, busquei o rancor, o áspero, o egoísmo. E tenho aqui um paradoxo da frieza, porque enquanto tomei como ato ser ruim para alguém esperando que ela seja boa para mim, esqueci de ser bom para mim mesmo. E consequentemente não serei bom para ela, sendo ela ruim para mim.

Mas é isso que o rancor causa em nós. Além de nos fazer parar no tempo – claro porque, quando guardamos o rancor, ficamos presos a um fato do passado que já deve ter sido esquecido até pelo sujeito que se tem rancor – abrimos mãos de uma habilidade dada pelo Universo que deveria ser o motivo de nossa vida, uma capacidade que é o princípio para casais a beira do colapso e grandes empresas a beira da falência: o poder de se regenerar.

O poder de se regenerar

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Se recriar não é fácil, mas também não é impossível. A partir do momento em que desprezamos as pessoas por puro apego ao ego e às nossas crenças. Ignoramos, ou pior, rejeitamos a capacidade de se aprender com nossos erros e assim nos reinventar. Deixamos de lado a nossa resiliência.

Engraçado que, muitas pessoas quando escutam a palavra resiliência lembram-se de um diamante. Tomam por assim o entendimento que para ser resiliente é preciso ser frio e forte. Veja aqui mais um engano: para a química, a resiliência não está diretamente ligada à resistência do material, mas sim à sua capacidade de, após determinados esforços ou tensões, voltar a ser exatamente o que era, como uma barra de aço, por exemplo.

É claro que não vou ficar divagando sobre que mineral ou elemento você deve levar como exemplo na vida. Mas enquanto o diamante se mantém resistente a qualquer movimento, o aço mesmo sofrendo tensões tende a voltar ao mesmo estado – o que não deixa de ser uma transformação.

O fato é que mesmo escrevendo palavras e palavras sobre regeneração me faltou resiliência. Resiliência para uma retratação à amiga. E me sobrou motivos que não compreendo em mim que despendi nela. Digo melhor, me faltou interesse em querer aprender com os meus conflitos. Me falta aprender sobre esses bichinhos que são as emoções.

E nessa brincadeira de fogo, queimei minha mão. Deixei de lado as características tão belas de uma pessoa só para que ela me servisse a qualquer preço. Deveria ter mais gostado, mais falado, seguindo à risca a letra de “Epitáfio”. Talvez não fale mais com ela, talvez isso seja passageiro, talvez seja para sempre. Não posso voltar no tempo e reparar o que fiz, mas não queria que tudo terminasse num “talvez”.

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