Reflexões sobre a vida

Tristeza e a luta incessante para fugir dela

tristeza – solidão – depressão

A luta incessante para fugir da tristeza

Corremos todos os dias alucinadamente em busca de coisas que talvez nem tenhamos pensado bem a respeito.

Corremos para chegar antes, corremos para não chegarmos atrasados, corremos para evitar a chuva, corremos para evitar o transito, corremos para evitar as filas, corremos, corremos…

A hora também corre, os dias, as primaveras, tudo. Tudo lá fora corre e nós continuamos adormecidos mesmo correndo. Estamos quase que inertes em nossa correria.

Um lupe em torno de nossos rabos, correndo para alcançar, correndo para escapar.

Tem dias que a tristeza é o que há. Nada mais que a solidão de nossas casas, solidão de nossos corpos, solidão de nossas mentes. Tem dias que a tristeza é sua única companhia.

Companhia ingrata, te arrasta para os piores lugares, te faz consumir as piores coisas e te faz correr.

Ás vezes, te faz correr tanto que a única certeza que você tem é que não sente nada. Não sente as pernas, não sente as mãos, não sente o peito.

Já conhece nosso canal no YouTube? Então se inscreva lá: Entre Cabelos e Barba

O que dá para sentir são os pensamentos como se você carregasse um saco de cinquenta quilos a cima do pescoço

Na verdade, são mais que cinquenta quilos, são toneladas e mais toneladas de ressentimentos, arrependimentos que vem com uma dor incontrolável em todo o resto.

Nada mais funciona como antes. As vitrines estão adormecidas, as estradas estão paradas, o céu não é mais azul.

Do seu lado uma parede de concreto te isola de todo o resto. Mesmo assim, você continua correndo com a cabeça pesada e o coração vazio. Dói cada parte do seu corpo enquanto a água que está ao seu redor vai subindo.

Frio, dor, sensação de isolamento, sensação de sufocamento, e a água continua a subir. Toca seus ombros e devagar vai chegando até seu queixo. Você treme, seu coração dispara, sua cabeça continua pesada e o que você mais quer é correr.

Continuar a correr pelo vazio de sentidos. Porque nada faz sentido então o que você mais quer é alcançar o céu. Se ver livre da água, do vazio, da dor, da sensação de isolamento e da completa sensação de inutilidade.

Não há dinheiro que compre, não há conselho que de jeito. Não adianta alguém te cutucar e dizer: sai dessa! Você está tentando, você está correndo, você está lutando, mas a água continua a subir.

E ela sobe até suas narinas, e o último grito nem é ouvido. Tarde demais! Quando sua alma não pertence mais ao seu corpo você vê de cima e percebe que todos, eu disse todos estão correndo.

Estão com muros em volta como aquários, com água até o pescoço. Uns sorriem, outros choram, alguns pedem ajuda, outros morrem sem nem saber aonde estão.

Leia: Preciso de mim, nem que seja hoje

Nosso reflexo é só tristeza

Reflexo de um homem

Cada ser, por mais diferente parece igual. Suas tristezas são iguais, seus medos são iguais. Então você observa um ser, que poderia ser você, na verdade, até pode ser. Será que não é um reflexo?

Somos todos reflexos de um todo, você entendeu isso e mesmo assim, continua o observar.

Naquela manhã, ele levantou, mas sua cabeça não. Ele acordou, mas seu espírito não. Ele então pensou, ou pelo menos tentou, mas sua mente não. Ele não acordou, nem despertou, nem levantou, apenas seu corpo, apenas sua carne.

Ele então sorriu, na verdade mentiu, e fingiu para ele mesmo, que aquilo era um sorriso. Precisava se arrumar, precisava inventar uma desculpa para apenas, acredite, respirar.

E foi, assim mesmo, sem vontade, sem desejos, sem tempero, apenas com um desespero.

Trabalhou, o dia inteiro. Suou, como um carneiro. Destempero, reclamou seu patrão. Ele estava descontrolado, até gritou com o colega do lado. Mas o grito de verdade ninguém ouviu.

Ele então foi demitido, foi para a rua da amargura, mas essa amargura nem se comparava com a sua.

Ele foi para casa e então deitou. Chorou até a noite e desesperado ficou quando ninguém perguntou se estava tudo bem. Não estava, e claro, a pergunta nada adiantava naquela situação.

Mas ele se viu sozinho, em meio a multidão de gente sem obrigação com gente. Gente que vive, ou apenas respira, não se sabe. Gente com apetite, grande, de verdade, de dinheiro, nem que isso custe sua felicidade.

Ele não entendeu. Refletiu sobre sua vida e sobre o que estava acontecendo naquele momento. Decidiu então que era o fim….

Fim da tristeza

Caminhando sozinho triste

Caminhou rumo ao horizonte. Sozinho estava com o Sol em seus ombros. Ele estava falando com a sua alma, atormentando sua mente.

Foi uma prosa convincente. Dizia para desistir de uma vez. Morrer ali mesmo, sem muito esforço, sem muitas lágrimas. Render-se ao deserto, virar pó, ser mais um grão na imensidão quente.

Ele por sua vez, resistia a doce e suave voz que dizia para deitar e ficar. Morrer assim sem tentar, sem arriscar. Pois o suor não valeria a pena.

Pois a vida não vale nada. Ao final do deserto encontraria a mesma vida medíocre que havia deixado lá atrás. Todas as cruzes que carregava, que carrega, as ruas estreitas, os becos, tudo…

Mas seu suor não vai ser em vão. Os pés calejados merecem descanso. Sua alma sofrida quer ser feliz. Nem que seja por um momento se quer. Nem que seja por alguns minutos, segundos.

Pois a doçura que está por trás de um sorriso é maior que tudo. O encantar do brilho dos olhos na esperança, na fé de ser, ter e viver tudo aquilo que foi sonhado e a satisfação do fazer acontecer, é indescritível.

E tudo está ali, no alcance de suas mãos. Depois do deserto…

Você vai gostar: Solidão ou liberdade?

Mas ele continuava de frente para o abismo. Foi encurralado por meu maior inimigo, ele mesmo. Sem opção de volta, sem opção de seguir. O que fazer? Criar asas e voar!

O abismo nos é apresentado quase sempre em nossas vidas. Basta não nos desesperarmos, pois na maioria das vezes existe uma solução bem ali, na nossa frente. A solução muitas vezes pode ser simplesmente pular e ele pulou.

O abismo passava devagar e a vontade de sonhar vai se desmanchando em sangue no chão. Quantos sonhos se vão em meio aos anseios e ambições humanas.

O que será dele? O que será de mim? Se sou um reflexo de um homem sem esperanças, que esperanças eu tenho?

Mas o que parecia certo, a morte que estava sussurrando em seu ouvido e agora entrava pelas suas narinas mostrou um caminho novo. Um caminho do qual ele não conhecia e que estava logo ali.

As pessoas que não se importavam, ou melhor, não demonstravam estavam ali, ao seu redor e tudo que ele mais queria aconteceu. Perguntaram se estava bem, o que ele estava passando.

A dor é menor quando é dividida, mas dividir com quem se ninguém se importa? Ele estava errado! Tinha muita gente que o amava, que se importava e que estava ali, mesmo na correria, mesmo na agitação.

No fundo do poço, ainda posso sonhar com a felicidade

Homem feliz

E ele se perguntava: se o mundo lá fora fosse do modo que eu quisesse? Se as janelas do meu quarto fossem portais para a felicidade. Se a porta fosse a entrada para uma vida e a saída para a solidão.

Se minha cama fosse uma nave que me levasse ao azul do céu, flutuando sobre o espelho do mar.

Se a tela do computador fosse apenas uma tela, na parede, pintada com pincel e tinta a óleo. Se os tic tacs do relógio fossem as batidas do meu coração, batendo levemente.

Se o porta retrato que traz com ele o sorriso de nossos rostos fosse menos passado e mais presente. Se os discos antigos que estão na estante fossem discos atuais.

Se o espelho não fosse o reflexo de minha imagem falida e sim de um futuro promissor. Se o vento do ventilador soprasse fresco. Se o ar aqui dentro estivesse menos pesado.

Se o café fosse um anestésico, fazendo-me sentir menos. Cobrar menos, chorar menos, gritar menos…

Se as palavras fossem fáceis de serem compreendidas, não teríamos tantas pessoas buscando por ar, para falar mais. A busca incessante para dizer, fazer-se perceber.

A luta para sair do fundo daquilo que chamamos de poço, fosso, mas é nada mais que nossa própria alma sucumbindo ao ritmo alucinante de nossas mentes que não param, nem para pensar.

Leia também: Não perca sua vida fazendo o que você não quer

Se a vida fosse do jeito que nós quiséssemos

Então eu viveria o próprio céu e o meu céu seria do jeito que eu quisesse, do jeito que tem que ser. Mas por que minha vida não pode ser meu próprio céu?

Então eu abriria a janela e o céu não seria mais azul. Azul é tristeza, tristeza de um mundo que não existe mais. O céu seria rosa, as nuvens seriam de algodão; doce.

O Sol, brilharia, mas não arderia. Meu pai poderia trabalhar tranquilo, erguendo casas, de formigas… Seriam formigueiros enormes, de gente, não mais.

Arco-íris cortaria de ponta a ponta o céu. Dizem que no fim sempre tem um pote de ouro, mas ninguém ligaria para isso. Ouro é a vida, vida é ouro. Ouro sem vida, não é nada.

A cidade seria substituída por campo, por mato. Ao lado, correria um rio, que de tão bonito, eu poderia confundi-lo com chocolate. Nas torneiras, acredite, brotaria água. Quem tinha sede, hoje não teria mais. Quem tinha fome, hoje não teria mais.

Minha mãe, colheria tomates, que mais parecem maçãs, ou são maças, que pareceriam tomates? Seriam grandes, vermelhos. Iriam lembrar que antigamente se usava agrotóxicos, tóxicos, fumaça, faíscas, poluição…

Hoje os insetos dançariam em meio as folhas. Seria o mais belo carnaval fora de época. Mas existe época para carnaval?

As sinfonias de buzinas, de ronco de motores seriam trocados por grilos, pássaros e o latido de um cão, que como bom amigo, viria correndo para me receber.

Leia mais