Deixe o tempo cicatrizar, disseram eles

Deixe o tempo cicatrizar parecer ser um daqueles conselhos que damos no automático. Tão clichê quanto todos os outros ditados populares que muitas vezes reproduzimos sem nem pensar. Mas você já parou para pensar nisso, é realmente verdade que o tempo cura todas as feridas? Vamos pensar…

Deixe o tempo cicatrizar

 De fato, não há dor de cotovelo que essa frase não sirva. Você está vendo seu amigo sofrer e não sabe o que falar, solta logo um: “o tempo cura todas as feridas”. Até tem uma música dos antigos emos da Fresno que diz: “deixa que o tempo vai cicatrizar…”. Realmente usamos essas frases nos piores momentos e talvez da pior forma.

Vamos fazer o seguinte exercício: se imagine no lugar de uma pessoa que viveu um relacionamento intenso, de cinco, seis anos. Agora imagine que estava tudo ok com o seu par, que vocês já tinham tudo planejado e que o futuro entre vocês era algo certo. Agora imagine que essa pessoa chegue em você e diga: Eu não quero mais, acabou.

Para quem estava navegando em águas tranquilas e quente isso é um belo banho de água fria. Com direito a canoa virar e você ficar à deriva, boiando em águas profundas. Como entender o que passa na cabeça da outra pessoa? O que fazer para resolver isso?

A primeira reação é tentar entender o porquê e claro, evitar esse fim trágico. Você pergunta para o seu par, você se questiona e muitas vezes a resposta não vem. A pessoa não sabe o que falar para te consolar e eu digo ela não sabe o que falar, porque todos os argumentos dela são inválidos para você. Nessas horas só queremos ouvir o que nos é conveniente e tudo que há de argumentos parecem sem sentido.

Quando o fim é certo e o entendimento desse fim não acontece, surge algo comum entre nós seres humanos. Você deve conhecer esse evento natural, ele tem alguns nomes, os mais conhecidos são: fossa e fundo do poço. Quem nunca viveu um momento assim que atire a primeira pedra. Se você não viveu, eu não sei nem se devo te dar os parabéns, porque só vive o fundo do poço quem já experimentou a superfície.

Existem duas verdades sobre tal. Você não nasce no fundo do poço e nem vive toda sua vida na superfície. Uma hora ou outra você vai visitar a Samara e dar um belo abraço nessa nossa querida amiguinha.

As pessoas vão te falar incessantemente: deixe o tempo cicatrizar

Pessoas apontando o dedo

Quando você está no fundo do poço, o que você menos quer ouvir é que o tempo vai curar suas feridas, que com ele as coisas vão melhorar, que tudo vai passar e que em breve as coisas vão se resolver. Sabe por que você não quer ouvir isso? Porque você não quer tomar um remédio que demore meses talvez até anos para curar as suas dores. Você quer arrancar tudo isso agora, nem que seja com as próprias mãos.

O que você realmente queria ouvir era: vem cá, vou te dar esse chazinho aqui e você simplesmente vai esquecer de tudo que passou, de tudo que viveu. Isso até me fez lembrar de um seriado que eu assisto que talvez você conheça. Já até fizemos um vídeo sobre ele [assista aqui]. O nome da série é The 100, entre as milhares de histórias dentro desse enredo uma me fez refletir sobre essa pequena palavra que significa tanto: dor.

A dor pode ser física e muitas vezes, mental. As desilusões provocam tanta dor quanto aquela bela topada no pé da mesa com o dedo minguinho. São coisas diferentes, mas que te trazem uma certa angustia. Agora o que tem a ver a série The 100?

Lá para tantas, no meio da série a inteligência artificial que é a responsável pela “salvação do planeta terra”, cria uma espécie de remédio que te faz não sentir mais dor, tanto as físicas quanto as psicológicas. E sabe como é esse remédio? Ele é simples, apenas te faz esquecer das coisas que você viveu que levam aquela dor. “Pooow, mas então isso é maravilhoso! Eu tomaria esse remédio e tudo de ruim que eu passei seria apagado?”

Realmente seria muito bom se fosse simples assim. Mas você já percebeu que as suas dores estão diretamente ligadas com o que você viveu e que dentro desses períodos nebulosos também existem bons momentos e pessoas marcantes? Pois é, quando se apaga um período ruim de nossa memória, também se apagam coisas boas, pessoas especiais.

Era justamente esse o mal do “bendito” remédio que curava todas as dores. As pessoas simplesmente esqueciam dos seus pais, dos seus irmãos, do falecido marido, da falecida esposa e por aí vai. Fora os bons momentos que simplesmente iam juntos, porque você apagou tudo que envolvia a tal pessoa.

Deixe o tempo cicatrizar pode ser sim um aliado

Mulher lendo livro, mulher lendo vários livros

Por isso o bendito do conselho deixe o tempo cicatrizar, pode ser sim uma saída, apesar de não ser o que estamos querendo ouvir no exato momento. O desgraçado do tempo, pode ser um divisor de águas entre a lucidez e a turbulência.

Ele pode te dar a tão esperada clareza mental e a famosa paz de espirito. Por conta disso você vai conseguir separar melhor as coisas boas que foram vividas das ruins e fazer com que tudo isso, vire uma bola de aprendizado. Sendo usada todas as vezes que for requisitada.

A própria relação de tempo e dor depois de tudo isso muda. Quando você olhar para trás vai enxergar um mundo menos nebuloso e com uma sensação de dor muito menor do que a vivida no período. Então você vai concordar e vai sair por aí distribuindo esse conselho: deixe o tempo cicatrizar, porque ele realmente cicatriza.

No fim, a gente cresce, evolui e encara o mundo de outra forma depois de alguns bofetões. Quem nunca passou por uma fase sombria e que logo em seguida descobriu coisas sobre ela mesma que nunca imaginou. Nos descobrimos novas pessoas, com gostos diferentes.  A vida pode nos surpreender até mesmo nos momentos difíceis.

Por isso, não da para largar o jogo. Não dá para dizer que não vale a pena se apaixonar e que amor é coisa para os outros. A vida é o que nos move. Viver intensamente é uma dádiva e se você tem essa oportunidade, porque se auto sabotar por medo de desilusões? Você tem o maior dos amores vivendo aí, do seu lado. Você mesmo é a razão para acreditar no amor e em tudo que ele pode proporcionar. Por isso, além do conselho deixe o tempo cicatrizar, aqui vai mais um: apaixone-se por você mesmo! E viva meu caro, viva!

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