Empoderamento feminino na visão de um homem

Antes de mais nada, gostaria de pedir licença a todas as mulheres para falar sobre algo tão de vocês, o empoderamento feminino. Sei perfeitamente que nós não estamos libertos do machismo, por mais desconstruídos que sejamos. E isso se aplica realmente a todos nós, homens, mulheres, pretos, brancos, orientais, seres humanos… Me dê uma chance, deixa eu falar sobre a minha visão do empoderamento feminino, continue lendo esse texto…

Empoderamento feminino na visão de um homem

É engraçado como as coisas mudam em um curto período de tempo, digo isso porque olho para trás e não muito distante me vejo sendo um homem do qual me envergonho. Se eu fosse adolescente hoje, com 15, 16 anos e meus pensamentos fossem exatamente iguais aos que eu tinha nessa idade, provavelmente eu seria mais um desse que apoiam para presidente um tal deputado.

Sim, esse era o nível da minha adolescência e antes que você me jogue pedras, deixa eu te dizer: felizmente as pessoas evoluem! Como eu disse, eu realmente me envergonho de quem eu era. Não só pelos meus pensamentos, mas também pelas minhas atitudes.

Ao meu ver, eu continuaria sendo aquela mesma pessoa se eu não tivesse saído de minha bolha social. Talvez você tenha pensamentos imutáveis desde a sua adolescência, e se você não parou para pensar muito a respeito. Pare e pense, essa é a hora! Será que você não está limitado a uma visão justamente por estar preso em uma bolha?

Bolha social e a dificuldade de entender o empoderamento feminino para nós homens

Homem tem dificuldade em ouvir

Só entende o que é uma bolha, quem já saiu de uma. A verdade é que enquanto você está preso, seus pensamentos dificilmente se expandiram além do que você enxerga, do que você sente. Não quer dizer que você não consiga, mas é realmente muito difícil.

Eu sai de uma de minhas bolhas, digo uma porque estamos imersos em diversos tipos de bolha. Quando, pela primeira vez aos 16 anos resolvi sair da igreja da qual eu frequentava, da qual eu fui criado. Desde sempre eu pertenci a uma certa religião e o mundo fora disso era uma grande novidade.

Você só percebe que está fora, quando tudo ao seu redor muda e foi justamente o que aconteceu. Eu estava em outro cenário, experimentando e fazendo coisas das quais eu nunca havia imaginado. Mas o baque realmente aconteceu quando as pessoas da minha antiga bolha já não me tratavam mais como antes.

Nessa nova realidade eu não pertencia mais ao grupinho deles, eu não era mais membro daquela bolha. Eu já não fazia mais parte da realidade deles, assim como eles não faziam mais parte da minha realidade. Eu era um completo estranho, um mundano e era tratado como tal. Até os que eu considerava como verdadeiros amigos, me tratavam diferente.

Pense, isso é apenas uma forma de bolha. É uma minúscula bolha, dentro de outras tantas e por isso, enxergar além disso é tão difícil. Enxergar a necessidade dos outros então, é quase impossível. Até porque dificilmente fazemos esse exercício. Se colocar no lugar do outro deveria ser sim um exercício obrigatório para todos aqueles que querem viver em sociedade.

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Empoderamento feminino para um homem branco, hétero, cristão…

Eu era cristão, hétero e branco o “suficiente” para nunca ter passado por algum tipo de preconceito com a minha cor. Como eu iria entender o que passa uma mulher, um negro, um analfabeto, um homossexual? Na minha pequena ignorância, todas as pessoas eram tratadas da mesma forma.

Quando você é criança é exatamente assim que você enxerga o mundo. Todos são exatamente iguais. Com o tempo, o que você absorve de seus pais e do meio, te constroem. A minha construção cristã de alguma forma me mostrava um mundo exatamente igual. Sabe por quê?

Porque os preconceitos são tratados naturalmente, a soberania masculina é tratada naturalmente, nenhum dos problemas sociais são discutidos a ponto de você entender o ponto de vista das outras pessoas. Drogas? Culpa do diabo. Prostituição? Culpa do diabo. Homossexuais? Culpa do diabo.

Desculpa, eu sei que hoje você cristão consegue enxergar um mundo além disso. Mas estou falando da minha construção e da minha adolescência. Bom, isso aconteceu há 8 anos atrás, então considere o mundo e os pensamentos das pessoas um pouco diferente.

Quando comecei a dar ouvidos para o empoderamento feminino

Logo após o baque de entender que eu não fazia mais parte daquele grupinho e logo, daquela minha antiga bolha eu estava completamente “perdido”. Óbvio que não é no literal, eu sabia o que queria. Eu queria experimentar tudo aquilo que antes as pessoas me diziam que era errado e que de alguma forma, eu me sentia mal caso se quer pensasse a respeito.

Em alguns momentos da sua vida você se quer se questiona. Você apenas engole tudo que é colocado a sua boca. Hoje em dia algumas coisas passam pela minha boca sem eu mastigar, mas machuca quando passa pela garganta. Naquela época, tudo era bem vindo. Tudo era aceito por uma mente quase inocente.

Porque quando você está em uma bolha, você fala como a bolha. Você pensa como a bolha e age como a bolha. Eu era um ser livre naquele momento, até entrar em uma outra bolha. A bolha da qual eu entrei foi o oposto da que eu sai. Agora eu era um ex cristão, com um pé no ateísmo. Você pode até rir e achar que isso é uma piada. Como assim? Que merda de bolha é essa?

Acredite, no início você encara o ateísmo como uma religião. Vejo isso acontecer diariamente e até mesmo com outras coisas. A pessoa vira vegetariana e tenta converter todo mundo que comer carne de origem animal é ruim. A pessoa entra em uma academia e tenta converter todo mundo a ser fitness. A pessoa começa uma dieta e quer converter todo mundo a esses novos hábitos alimentares…

Novos deuses, cada bolha tem o seu

Nós estamos repletos de religiões e de novos deuses. A gente só não os chama assim, mas nós os idolatramos tanto ou mais que os deuses das religiões que conhecemos. Cada grupo é uma bolha, cada bolha tem seu deus.

Ao entrar nessa, eu comecei a vivenciar coisas das quais eu nunca havia passado. Coisas das quais você como cristão não deve nem ter imaginado. Ser considerado um mau caráter apenas por não acreditar no mesmo deus que o seu é uma das coisas mais leves que acontecem a um ateu.

Levei tanta patada ao ponto de hoje não falar mais nada a respeito. Não me manifestar sobre o que eu penso e muito menos dizer em público que sou ateu. Estou contando nesse texto, porque imagino que se você está aqui, consegue entender muito bem que uma pessoa não pode ser julgada, apenas por uma de suas opções.

Então finalmente eu cheguei ao ponto que eu queria. Se antes eu vivia em um mundo quase perfeito. Aonde não havia dificuldade alguma em me relacionar com as pessoas. Nesse exato momento eu me deparei com o primeiro muro em minha vida: o muro do preconceito.

A visão de outras pessoas

Mulher sendo silenciada

Depois de sair de uma bolha, entrar em outra e receber uma carga de preconceito da qual eu não estava preparado. Eu então resolvi abrir meus ouvidos. Era hora de ouvir o que as outras pessoas tinham a dizer.

Conversei com todo tipo de gente e felizmente fiz amizade com todas elas. Ouvir mais, falar menos, faz de você uma pessoa agradável. Eu realmente estava disposto a ouvir. E isso me fez encontrar as histórias que mais me chocaram e as quais me chacoalharam para enxergar o mundo como eu enxergo hoje.

Na época eu estava solteiro e coincidentemente eu sai com três mulheres em sequência que me contaram histórias muito parecidas. Ambas haviam sido abusadas quando eram menores de idade. Todas elas por homens próximos. Por si só essas já seriam histórias bem chocantes, mas perceber que a mesma história se repete em um pequeno período de tempo, com três mulheres mais ou menos da mesma faixa etária e todas da mesma região te levam a seguinte conclusão: isso é mais comum do que imaginamos.

Todo mundo sabe que acontece, mas ninguém se toca o quão rotineiro isso é. Porque eu não consigo imaginar que alguém sabe que isso é comum e não luta contra essa ameaça. Quantas pessoas sucumbiram após passarem por essa experiência traumática? Quantas pessoas ainda carregam com elas essas marcas, em segredo? Por vergonha, por medo, pelo que for. Quantas pessoas preferiram a morte ao carregar esse peso?

Não vou me alongar muito nesse tema porque temos um relato de alguém que realmente passou por isso, e acho que você precisa ler esse texto: Eu fui estuprada. Eu fui abusada.

Toda minoria merece atenção

Após me deparar pela primeira vez na minha vida com um muro de preconceito. Eu realmente entendi que outras pessoas também tem o mesmo muro, ou muros muito maiores. Comecei então a olhar para os lados e perceber que aquilo que eu considerava como vitimismo, como “mimimi”, eram na verdade, pessoas buscando serem vistas, serem enxergadas e terem seus direitos respeitados.

Ninguém quer mais que ninguém. A luta tanto do empoderamento feminino, quanto de outras frentes é por respeito, por igualdade, e pelos direitos que são surrupiados. Se eu, um mero ateu tinha um muro a minha frente. Imagina o negro que não tinha condições de entrar em uma universidade. Uma mulher que recebia a metade do salário do seu colega. A mãe solteira que não conseguia arrumar emprego por causa disso. As pessoas da comunidade LGBT que podem ser apedrejadas, apenas por amar.

Eram muros, sem duvida nenhuma maiores que o meu. Mas que eu só pude enxergar depois que sai de minha bolha.

Você precisa entender

O que eu preciso conversar com você é que todas as pessoas merecem ser ouvidas e o principal, merecem respeito. Todos nós somos de fato iguais e todos merecemos o mesmos direitos. Não desmereça a luta de ninguém. Não diga que é vitimismo ou “mimimi” sem ter se colocado no lugar dela, muito menos sem ter ouvido-a de verdade.

Você só vai escutar de verdade se estiver disposto a ouvir. Tendo isso em mente, duvido que você não se emocione com as diversas histórias que essas pessoas têm a contar. Por isso, o empoderamento feminino é tão importante. Por isso, devemos apoiar sim esse movimento, assim como tantos outros que lutam por causas justas.

Se você ainda não está convencido após esse texto, convido você a ouvir alguém que você jura que fala apenas “mimimi”… Como a regra é ouvir, vamos praticar esse exercício. Deixe a sua opinião nos comentários, óbvio, de modo educado. Não esqueça de compartilhar o texto, precisamos abrir diálogo para esse tema tão importante!

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