Estupro/Assédio

Se eu disse não é não, aceita!

Tatuagem de mulher dizendo não é não

Se eu disse não é não, aceita!

Eu não estou interessada, muito menos me fazendo de difícil, eu simplesmente não quero você. Não é porque eu estou aqui na balada, com as minhas amigas, que eu vim atrás de macho, eu vim me divertir. Se eu disse não é não, aceita!

Esse batom vermelho e esse salto alto não foram colocados pra você meu bem, nem pra homem nenhum. Eles foram colocados pro meu espelho, pra eu me sentir como eu estou me sentindo agora: dona do meu próprio nariz, do meu corpo e da minha alma.

Eu tenho é pena de caras como você, que precisam implorar, puxar pelo braço e falar essas palavras nojentas pra ganhar a atenção de uma mulher. Como alguém vai se interessar por você, esse ser tão desprezível? O teu caráter já é falho e não te faz ser interessante.

Homens como você, que fazem a gente se sentir um pedaço de carne só de olhar, me causam repulsa. Essa raça tinha que receber o que merece, levar na mesma moeda e entender que o mundo não é de vocês. Machistas ridículos, fiquem ligados, a mudança está batendo nas suas portas.

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Eu sei e vou me defender

como se defender do machismo

Não adianta chegar mais perto, o meu spray de pimenta vai te alcançar em alguns segundos. “- Que mulher brava”, diz ele. Mas não, eu não sou apenas uma mulher brava, eu sou uma mulher que sabe se defender. Eu posso levar, posso me machucar, mas tenha certeza que se você tentar alguma coisa vai ser marcado de formas que você nem imagina.

Pode ficar puto e me chamar do que você quiser, daqui você não vai levar absolutamente nada. Eu não sou obrigada a nada com você, nem te responder se eu não quiser. Mas eu estou tão cansada com esse tipo de abordagem que a minha vontade foi de vomitar todas essas palavras na sua cara mesmo.

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Você pode até me seguir, vir atrás de mim depois da festa. Eu sei que você é mais forte que eu, mas meu querido, você nunca me viu com raiva, quem tem que ter cuidado é você. Eu vou reagir, gritar, chutar e fazer de tudo pra te colocar no teu lugar.

Você deveria se envergonhar

frases sobre feminismo

Imagina se alguém tratasse a sua irmã assim? Ou a sua mãe, as suas filhas? Elas iriam se sentir da mesma forma que eu, você não acha? Dentro dessa tua cabeça tem que haver algum tipo de empatia, nem que seja alcançando a sua própria família.

Eu sou um ser humano igualzinho a você, então porque eu não posso viver a minha vida em paz? Só porque eu não tenho isso ai entre as minhas pernas? Qual é a diferença entre nós? Qual o seu argumento pra justificar a minha inferioridade por ser mulher? Se toca querido, acompanhe a evolução do mundo, você já está pra trás a muito tempo.

Eu tenho direito de ir e vir. Sou uma cidadã comum, eu tenho o direito de ir e vir para onde eu quiser. Mas você, e homens da sua laia, colocam muros e penhascos em nossas vidas, querendo nos mostrar menores, menos capazes.

Sabe o que é isso? MEDO! Essa tua falta de massa cinzenta te deixa acuado ao se deparar com mulherões da porra como eu. Quanto a isso, se acostume, elas estão abrindo os olhos e um dia todas estarão prontas para te ditar esse discurso.

Eu quero liberdade

O meu medo sempre vai ser diferente do seu. Eu simplesmente não posso andar na rua sozinha, sem me sentir acuada. E o medo não é de assalto, é de estupro meu querido. Todos os dias eu sou obrigada a ouvir “- fiu fiu”, cantadas nojentas e olhares asquerosos. Antes mesmo de sair de casa eu já me preparo para encarar a sua elite, já que ela está por todos os lugares.

Somos livres, de tênis ou de salto alto, de batom ou de saia curta. Eu quero viver a minha vida sem ter medo de estupradores em potencial como você, ditadores de um sistema opressor cheio de correntes.

Esses privilégios, direitos e poderes sobre nós, que foi dito pra você desde criança, estão EQUIVOCADOS, ERRADOS, ULTRAPASSADOS. E se você ainda não entendeu o que eu quis dizer, vai se tratar, ou se isolar, porque essa sociedade ainda vai enxergar a nossa igualdade, ainda vai.

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Eu fui estuprada, eu fui abusada

Style: “Neutral”

Eu fui estuprada, eu fui abusada

Não foi uma vez, não foram duas vezes, foram 12 anos! Sim, doze anos passando por isso. Doze anos sem saber o que sentir. Doze anos sem saber o que pensar.

Se eu falei para alguém? Jamais. Tinha que falar? Ninguém me disse nada, ao contrário, eu tinha um segredo totalmente incrível. Era só isso que eu sabia.

Eu não sabia o que tava acontecendo. Eu não sabia que aquilo que eu fazia era sexo. Eu pensava ser normal, pra mim, tudo aquilo era carinho, uma brincadeira. Eu pensava que tinha que aprender tudo aquilo para quando eu crescer.

Tudo isso aconteceu e não foi por um desconhecido. Não foi com violência. Não fui obrigada a nada. Eu fui abusada pelo meu próprio avô. Na minha própria casa.

Eu achava aquilo normal. Eu não sentia dores. Eu não chorava e nem ficava triste. Muito pelo contrário, eu achava aquilo bom. Tudo isso era gostoso, mas eu não sabia o que era, como se chamava aquilo.

Você consegue imaginar o que é pra uma criança gozar? Um criança que mal conhece seu corpo (que corpo? Eu ainda não tinha um “corpo”) sentir sensações extremas de prazer? SIM, ERA BOM!

Você pode perguntar se morando com muitas pessoas ninguém reparou. Se meus pais não viram, meus tios, minha avó, meus primos. Te respondo: Ninguém reparou. Ninguém nunca reparou.

Pra todos era ótimo, sempre tinha “alguém pra cuidar de mim quando todo mundo saia”. Morávamos em muitas pessoas numa mesma casa, e mesmo assim ninguém nunca reparou.

Minhas lembranças hoje sobre os atos e situações, são esparsas, são vagas. Eu só lembro que era bom. Eu lembro dos cheiros, eu lembro do gosto. Mas lembrar de tudo, eu não lembro.

Mas eu sei: eu fui estuprada! Eu fui abusada!

Eu fui estuprada, pedofilia, abuso de menor, eu fui abusada

Quando exatamente isso começou, eu não faço ideia. Eu era apenas uma criança. Mas eu sei que isso aconteceu. Uma das memórias que eu ainda tenho, é de reproduzir isso que eu aprendia com minha prima mais nova. Eu acariciava, eu beijava. Eu fazia ela sorrir. Antes que alguém me julgue, eu repito: eu não sabia que era errado. Ninguém nunca me falou o que eu fazia.

Eu lembro do dia, que meus pais nos encontraram trancadas num quarto seminuas. Eu devia ter uns 8 anos, ela uns 6. Nesse dia estávamos “brincando”. Meu pai abriu a porta percebendo que sumimos e deu de cara com nós duas, no sofá-cama, com um cobertor e viu as nossas duas calcinhas no chão. O susto foi grande, a bronca maior ainda. “O que vocês estão fazendo sem calcinha?!!!! ” Ele questionou. Eu não sabia responder. Ela não sabia responder.

Apesar disso, ninguém percebeu. Ninguém reparou que tinha algo estranho. Eu, que fui estuprada, repetia o que vivi. Eu, que fui abusava, abusava da minha própria prima.

Eu fui crescendo, tendo um pouco de repulsa daquela situação, um pouco de nojo quando ia percebendo o que tava acontecendo. Mas ao mesmo tempo, meu avô me falava: “Você tem que me prometer que isso vai continuar. Que o vô vai brincar contigo até os 18 anos, ta bem?”

Eu não tinha voz, eu não tinha vez. Eu tinha vergonha se alguém descobrisse meu segredo. Aos poucos, por conta disso tudo, eu comecei a entender. E ai comecei a querer ficar longe dele… Era difícil. Mesmo assim, isso durou doze anos!

Assim como tudo na vida, um dia isso acabou.

Eu fui estuprada, pedofilia, abuso de menor, eu fui abusada

Graças a Deus você deve estar pensando. Alguém viu, denunciou. Quem viu levou essa criança num psicólogo para que assim pudesse superar todos esses traumas. Graças a Deus alguém intercedeu. Graças a Deus, alguém olhou por ela.

Lamento, mas não! Como sempre, ninguém percebeu. Ninguém reparou.

O que as pessoas faziam? Brigavam, oprimiam e não entendiam porque essa criança tinha algumas atitudes. Porque ela tinha manias, problemas e era tão avançada pra idade. Mas em momento nenhum alguém percebeu o abuso, o estupro dentro da própria casa.

Eu parei de aceitar aquilo porque cresci. Eu parei porque percebi que o que estava fazendo esses anos todos era errado. E eu percebi que a errada não era eu, eu era vítima. Mas eu era convivente, eu sempre prometi que isso ia continuar acontecendo até meus 18 anos. Eu tinha 12, a conta não tá fechando. Isso me deixava confusa.

Mas então decidi parar. Decidi não aceitar mais ficar sozinha com ele em casa. Era difícil, mas comecei a rejeitar os beijos. Os toques. Qualquer palavra que ele tentasse trocar comigo. O pior era que agora sim meus pais percebiam. Minha família percebia. Percebia que eu queria estar longe, que eu tratava meu avô de forma diferente. E me obrigavam a abraçar. Beijar. Conviver e me obrigavam a trata-lo como se fosse o melhor avô do mundo.

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E agora, o que eu ia fazer?

Eu fui estuprada, pedofilia, abuso de menor, eu fui abusada

Agora sim que eu não podia falar. Como eu ia provar isso? Como eu ia conviver com isso? Afinal, minha família tava do lado dele. Pra mim só sobrava bronca. E se eu contasse, o que ia acontecer? (depois claro de uma bela surra!!!) Iam me julgar? Iam me forçar a contar?

Eu ia ser a ovelha negra da família e agora rotulada por todos? Todos iam saber que eu transei com meu avô. Que eu gozei com meu avô. MEU DEUS! NÃO!!! Isso é meu. Isso é particular.

Eu decidi tocar minha vida, esquecer o inesquecível. Ele continuava forçando, tentando, se insinuando. Eu, nessa época, aos 12 anos estava descobrindo o mundo e tive meu primeiro “paquerinha” digamos assim.

Eu gostava muito dele, mas o fato é que eu continuar fazendo tudo aquilo com meu avô era trair quem eu tanto gostava. E assim, na minha cabeça, se eu cedesse pro meu avô, mesmo lembrando que as vezes era bom. Estaria traindo o menino. E isso eu sabia, era errado.

Parei de vez com tudo isso! Segui minha vida da forma que consegui.

Eu superei tudo isso sozinha.

Eu fui estuprada, pedofilia, abuso de menor, eu fui abusada

Anos se passaram. O segredo cresceu comigo. Eu amadureci. Eu superei tudo isso sozinha. Um dia, depois de pensar muito achei que isso deveria vir à tona. Achei que eu deveria dividir o meu segredo. Eu namorava e pensava que não poderia existir qualquer segredo nesse relacionamento. Criei coragem e contei tudo o que aconteceu. Sem detalhes, sem descrever os meus sentimentos. Porém, nesse instante eu percebi: O caos estava formado. Ele não aceitou, não entendeu e não viu o meu lado. E como todo mundo, começou a me pressionar. Ele queria que eu contasse para todos, queria que eu fosse a polícia.

Ele não conseguia acreditar que por 12 anos isso aconteceu, e que até aquela época eu continuava convivendo com o meu estuprador, digo, meu avô.

Mais uma vez me recolhi. Não aceitei contar. Fiquei com medo mais uma vez de ser julgada, mal vista e ridicularizada por tudo o que passei. Mais uma vez vi que aquele segredo era só meu e ninguém tinha nada a ver com isso. Então me fechei.

Esse segredo até hoje continua comigo e pela primeira vez eu conto essa história. Ainda convivo meu avô. Ainda lembro de tudo o que aconteceu. E eu morro de medo de isso se repetir com qualquer pessoa.

Mas o que adianta ter medo, se as pessoas de modo geral acham que isso só acontece na novela? O que adianta ter medo se as pessoas nem sabem o que fazer ou o que notar quando algo de errado está acontecendo?

Eu entendo totalmente o que se passa com a cabeça de qualquer pessoa que passa por isso.

Eu passei. Eu continuo passando. Faz 25 anos que isso está na minha mente afetando a minha vida. Faz 25 anos que eu sozinha lido com isso.

Eu resolvi contar tudo isso pra você perceber que tudo isso tá muito perto. Pode ser que você me conheça. Pode ser que você conheça meu avô. Pode ser que você seja parte da minha família. Seja neta dele também. Pode ser que isso nunca tenha acontecido com você. Pode ser que isso nunca vá acontecer com você. Pode ser que você pense que tudo o que contei é mentira e eu só estou querendo chamar atenção.

Nesse momento, “pode ser” muita coisa. Mas só depende de você perceber, olhar, falar e principalmente NÃO JULGAR. Cabe a você ao conversar com uma criança e notar o que ela tá querendo dizer. Cabe a você demonstrar confiança. Ela não sabe o que é certo. Ela não sabe o que é errado. Ela não tem maturidade nenhuma de tomar qualquer decisão. Ela não pode se comprometer com qualquer tipo de promessa seja pelo tempo que for.

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Na dúvida, aja!

Eu fui estuprada, pedofilia, abuso de menor, eu fui abusada

Eu superei isso sozinha, e eu sei que posso ser considerada uma exceção. 12 anos de estupro superados de forma isolada sem nenhum apoio profissional e lidando mais muitos problemas normais da vida. Mas hoje eu me vejo como uma mulher forte e guerreira que não usa dessa história como forma de fragilidade, vitimização e sim superação.

Mas claro isso não acontece com todo mundo. Não é todo mundo que consegue sozinho seguir em frente. Muitas vezes quem passa por isso acaba por remoer de uma forma tão intensa tudo isso que fica incapaz de superar. Por conta disso, tornam-se escravas do medo, da dor… Recorrem a qualquer meio de não precisar encarar tudo isso.

Eu mesma confesso, já pensei muitas vezes nisso. Em abandonar tudo, em tirar minha vida, em agredir quem me agredia. Eu apenas não tive coragem de nada disso…

No fundo, todos nós somos pessoas que precisam de alguém que nos socorra, mas não sabemos como pedir isso. Eu queria que alguém me acolhesse. Alguém o impedisse. Alguém me protegesse, É CLARO! Mas essa não foi minha opção.

Não existe desculpa!

O estupro tá ai bem mais perto do que você imagina. Assim com meu avô também está e assim como estão muitos tios, tias, pais, mães, vizinhos… Todos estão calados!

Seja você a voz de quem precisa ser ouvido!

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Estou cansada de homens como o José Mayer

Estou cansada de homens como José Mayer

Estou cansada de homens como o José Mayer

O assédio está aí, batendo na sua porta, na sua cara, batendo na veia de homens cheios de razão, que se acham donos do mundo, donos de nós. Até quando nós teremos que engolir crápulas como o José Mayer, comentários como o Oscar Magrini, que ao vivo na TV aberta tem a coragem de afirmar que a mulher tem que cuidar para não “instigar” o homem? As burcas não salvam as muçulmanas do estupro, as portas trancadas em casa não salvam meninas do estupro, quem nos salva?

Vivemos com medo das ruas, dos olhares, dos estranhos. A segurança não está nem no dia nem na noite, nem na rua e nem casa. São vítimas culpabilizadas, ameaçadas de morte, forçadas ao silêncio, a viver em agonia. São crianças, moças, meninas, mulheres assediadas diariamente. Por estranhos, pais, padres, tios, maridos, primos, irmãos, e a culpa, de quem é a culpa?

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Para eles é extremamente normal te chamar de gostosa, te puxar pelo braço, você é inferior. Se a saia está curta é porque está querendo, se está comprida se faz de difícil, se está na metade é provocação. A cada uma hora e meia uma mulher morre no Brasil por causas relacionadas à violência, os agressores em sua maioria homens, claro, os machões.

Mas o Brasil é país da bunda, então vamos denigrir nossas mulheres. Elas não são seres humanos comuns, são objetos, são comida, são artefatos de sobrevivências para os alfas, os que dão a última palavra, que nos doutrinam, que escolhem os nossos caminhos. Vamos trazer um glamour para a violência sexual e nos calarmos. Vamos virar a cara para qualquer cena que te traga nojo. Mãe, feche os olhos se o seu marido encosta na sua filha, imagina o que os vizinhos vão falar ao descobrir?

Mulheres abram os olhos. Vocês não podem se calar, não podem deixar isso acontecer. Ninguém precisa mais de macho para colocar dinheiro dentro de casa, você pode trabalhar no que quiser, faça a sua vida. Nossas mães, avós, bisavós, tataravós lutaram por isso. Elas lutaram por nós, para podemos nos colocar da forma que quisermos, votar, dançar, falar em público, usar calça, escolher amores, ler livros, recusar, simplesmente recusar. Não jogue isso no lixo, honre o seu gênero, seja forte.

Eu acredito na minha geração

Todas por todas

O que me dá mais esperança é a minha geração e as próximas que estão por vir. São mentes muito mais abertas, que já conviveram com a diversidade e com a luta pela igualdade de gênero desde muito cedo. Vejo em meus amigos, e nos amigos dos meus amigos, uma mudança, uma luz. Eu enxergo um futuro mais sensato, e é por ele que eu luto todos os dias.

Serão famílias diferenciadas, com mães cada vez mais empoderadas. Sim, as mães são chave nesse quesito. Os meninos precisam entender desde cedo como se deve tratar uma mulher, como elas são totalmente iguais a eles. Nossas crianças precisam de bases familiares e escolas que promovam a igualdade de gênero.

Não é feio ser quem se é. E a liberdade só vai reinar quando os espaços forem respeitados. Seria um sonho, ou o futuro?

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Mexeu com uma mexeu com todas

Mulheres unidas

Não existem dúvidas que nos últimos anos houve um grande progresso nesse assunto. Não que esse progresso seja sobre números baixos de agressão ou assédio, mas sim, houve um fortalecimento entre as próprias mulheres.

Feministas ativistas levam cada vez mais informação para aquelas que foram criadas com vendas nos olhos. Muitas mulheres ainda não entendem o significado do feminismo, se baseiam em ideias que não são o foco do movimento e acabam sem perceber que deveriam abraçar a causa só por serem mulheres.

É por causa da união, de mulheres como a Sophie Charlotte, a Drica Moraes e a Tatá Werneck, que vestiram a camisa, que ficaram ao lado da figurinista Susllem Tonani, que denunciou o assédio contra o ator José Mayer, que a nossa voz chega em espaços onde o som não se propaga.

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Eu sinto o grito sair da minha boca, da minha pele quando surgem casos de assédio como esse nos meus olhos. O mundo gira, o trabalho clama por mim, eu me distraio, você se distrai, mas ele está sempre ali. E o que eu vou fazer pra isso mudar?

Eu vou escrever, eu vou falar, eu vou emponderar as mulheres que aparecem no meu caminho. E você que está lendo isso dissemine para o máximo de pessoas que conseguir. Só a informação pode nos salvar.

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A culpa não é da mulher

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A culpa não é da mulher

Querida, eu sei que você já deve ter escutado várias vezes isso, mas vamos lá, vou dizer mais uma vez: a culpa não é sua. Não foram as suas roupas. Não foram as suas fotos. Não foi a sua forma de descobrir e dar vazão à sua sexualidade.

Não foram suas brincadeiras em posar segurando armas de fogo. Tudo isso foi apenas a maneira que você encontrou de fazer parte de uma tribo, de sentir-se parte de algo maior. Afinal, você cresceu vendo isso em filmes e videoclipes, cheios de pirotecnia.

Mergulhou na fantasia. Quem nunca? É normal experimentar, testar, tentar copiar. “Nada se cria”, não é mesmo? Todas nós já nos pegamos vez ou outra imitando estrelas.

Você estava apenas sendo livre. Ou buscando uma liberdade almejada, uma liberdade que lhe foi vendida como sendo a única possível e real. Quem pode julgar se você estava errada? Ninguém, querida. Absolutamente, ninguém.

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Será que você já não se julgou e condenou o suficiente?

Será que nessa busca desesperada por ajuda você já não abriu demais seu coração a pessoas que não conhecem a dinâmica de um coração forte, porém dilacerado?

Sim, eles querem te ajudar. Mas será que você precisa de toda essa ajuda? Está dentro de você, você sabe disso. A iluminação, o Reino de Deus, a paz, o amor, a compreensão… Tudo aí dentro. Tudo dentro desse coração moído por tantas entregas, mas com uma capacidade ímpar de se regenerar.

Nesse instante você merece sabe o que? Você merece um abraço. Você merece ser ouvida, mesmo que “não fale nada com nada”, conforme as pessoas costumam rotular. Você merece que segurem a sua mão. E que compreendam que você se assuste mesmo com uma mão segurando a sua.

Andando pelas ruas e vendo os casais de mãos dadas você se questiona se algum dia acontecerá novamente a você. Uma mão que não só se dê a ser segurada, mas que se entregue à cumplicidade.

“Partners on crime”, mesmo que o único crime seja um fim de semana mergulhados em séries, jogados no sofá, com besteirinhas e seus corpos para beliscar.

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Ah, menina, você merece tanto um abraço…

Apenas não se sinta na obrigação de ser abraçada por quem só vê em você uma alma ferida. Você é bem mais do que um pássaro frágil ferido.

Aliás, cá entre nós, você é apenas uma águia com uma feridinha na asa. Totalmente passível de alçar longos vôos, mesmo com algumas penas perdidas.

Recorra aos abraços daqueles que te enxergam como um ser completo, mesmo que fragmentado. Abraços de quem vê a menina, mas também a mulher.

Entregue-se primeiramente ao caloroso abraço do seu próprio eu, aquele que te conhece melhor do que ninguém. Olhe seus olhos no espelho e veja que a trajetória foi longa, mas produtiva, que os ensinamentos vieram tortos, mas surtiram efeito.

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Olha menina, você conhece as respostas

Não deixe as dúvidas momentâneas roubarem de você tudo que você aprendeu. E continue lembrando: não foi sua culpa. E mesmo aquilo de fato tenha sido, a conjugação verbal é o sinal: já foi, passou, acabou, passado, finito.

Prefiro falar em responsabilidade. E essa vem com o aprendizado e a descoberta. Você se descobriu. Gostou de algumas coisas nessa jornada, de outras nem tanto. Mas perdoe-se. Você é única e ao mesmo tempo só mais uma: humana.

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Medo de andar na rua, até quando?

medo de andar na rua

Medo de andar na rua, até quando?

Coloquei os pés para fora do meu prédio, e agora? A luz do dia não me deixa mais segura, mas o escuro que reina nos cantos das casas me deixa ainda mais assustada. Olhos arregalados para enxergar melhor, o caminho está completamente vazio, e nem as chaves que ando em meio aos meus dedos fazem eu me sentir melhor.

“Sou forte”, me vem ao pensamento. “Se algum homem tentar alguma coisa eu vou revidar”, mas no fundo a gente sabe que se realmente alguém tentar, as chances de ser violentada são muito maiores do que escapar.

A respiração já acelerou faz tempo, os sentidos em alerta chegam a me dar dor de cabeça. “Eu deveria ter comprado aquele spray de pimenta”. Lá vem dois homens, vou fazer a pior cara que sei fazer. Eles já sorriram, já me viram, que inferno. Atravesso a rua? Não, não posso deixar o medo me dominar. Mas não tem jeito, eu nasci mulher.

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Por que tenho que ter medo de andar na rua?

O olhar deles me enche de raiva, quem eles pensam que são? Me sinto um pedaço de carne, estou totalmente desprotegida. “Qualquer coisa eu grito o mais alto que puder”, pensei já limpando a garganta.

Olhei em volta procurando ajuda, mas era eu e eles na rua. “Nossa, que delicia”, eles falaram. Foi quando eu joguei pela boca todos os palavrões que me vieram a cabeça. Eu já estava pronta pra correr, mas eles continuaram andando, ainda bem.

Faltam algumas quadras, acelerei o passo. No pensamento só pulsam questionamentos sobre essa falsa liberdade de ir e vir, sobre o machismo que cresce no nosso mundo, sobre esses homens que se sentem donos de mim.

Quantas não tiveram a sorte que eu tive, de nunca ter sido levada de fato? Quantas e quantas mulheres estão sendo violentadas neste exato momento? Quantas estão desaparecidas? Quantas morreram em plena agonia? E dentro desse turbilhão de perguntas a mais forte delas me invade: até quando?

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