Estou cansada de homens como o José Mayer

Estou cansada de homens como o José Mayer

O assédio está aí, batendo na sua porta, na sua cara, batendo na veia de homens cheios de razão, que se acham donos do mundo, donos de nós. Até quando nós teremos que engolir crápulas como o José Mayer, comentários como o Oscar Magrini, que ao vivo na TV aberta tem a coragem de afirmar que a mulher tem que cuidar para não “instigar” o homem? As burcas não salvam as muçulmanas do estupro, as portas trancadas em casa não salvam meninas do estupro, quem nos salva?

Vivemos com medo das ruas, dos olhares, dos estranhos. A segurança não está nem no dia nem na noite, nem na rua e nem casa. São vítimas culpabilizadas, ameaçadas de morte, forçadas ao silêncio, a viver em agonia. São crianças, moças, meninas, mulheres assediadas diariamente. Por estranhos, pais, padres, tios, maridos, primos, irmãos, e a culpa, de quem é a culpa?

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Para eles é extremamente normal te chamar de gostosa, te puxar pelo braço, você é inferior. Se a saia está curta é porque está querendo, se está comprida se faz de difícil, se está na metade é provocação. A cada uma hora e meia uma mulher morre no Brasil por causas relacionadas à violência, os agressores em sua maioria homens, claro, os machões.

Mas o Brasil é país da bunda, então vamos denigrir nossas mulheres. Elas não são seres humanos comuns, são objetos, são comida, são artefatos de sobrevivências para os alfas, os que dão a última palavra, que nos doutrinam, que escolhem os nossos caminhos. Vamos trazer um glamour para a violência sexual e nos calarmos. Vamos virar a cara para qualquer cena que te traga nojo. Mãe, feche os olhos se o seu marido encosta na sua filha, imagina o que os vizinhos vão falar ao descobrir?

Mulheres abram os olhos. Vocês não podem se calar, não podem deixar isso acontecer. Ninguém precisa mais de macho para colocar dinheiro dentro de casa, você pode trabalhar no que quiser, faça a sua vida. Nossas mães, avós, bisavós, tataravós lutaram por isso. Elas lutaram por nós, para podemos nos colocar da forma que quisermos, votar, dançar, falar em público, usar calça, escolher amores, ler livros, recusar, simplesmente recusar. Não jogue isso no lixo, honre o seu gênero, seja forte.

Eu acredito na minha geração

Todas por todas

O que me dá mais esperança é a minha geração e as próximas que estão por vir. São mentes muito mais abertas, que já conviveram com a diversidade e com a luta pela igualdade de gênero desde muito cedo. Vejo em meus amigos, e nos amigos dos meus amigos, uma mudança, uma luz. Eu enxergo um futuro mais sensato, e é por ele que eu luto todos os dias.

Serão famílias diferenciadas, com mães cada vez mais empoderadas. Sim, as mães são chave nesse quesito. Os meninos precisam entender desde cedo como se deve tratar uma mulher, como elas são totalmente iguais a eles. Nossas crianças precisam de bases familiares e escolas que promovam a igualdade de gênero.

Não é feio ser quem se é. E a liberdade só vai reinar quando os espaços forem respeitados. Seria um sonho, ou o futuro?

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Mexeu com uma mexeu com todas

Mulheres unidas

Não existem dúvidas que nos últimos anos houve um grande progresso nesse assunto. Não que esse progresso seja sobre números baixos de agressão ou assédio, mas sim, houve um fortalecimento entre as próprias mulheres.

Feministas ativistas levam cada vez mais informação para aquelas que foram criadas com vendas nos olhos. Muitas mulheres ainda não entendem o significado do feminismo, se baseiam em ideias que não são o foco do movimento e acabam sem perceber que deveriam abraçar a causa só por serem mulheres.

É por causa da união, de mulheres como a Sophie Charlotte, a Drica Moraes e a Tatá Werneck, que vestiram a camisa, que ficaram ao lado da figurinista Susllem Tonani, que denunciou o assédio contra o ator José Mayer, que a nossa voz chega em espaços onde o som não se propaga.

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Eu sinto o grito sair da minha boca, da minha pele quando surgem casos de assédio como esse nos meus olhos. O mundo gira, o trabalho clama por mim, eu me distraio, você se distrai, mas ele está sempre ali. E o que eu vou fazer pra isso mudar?

Eu vou escrever, eu vou falar, eu vou emponderar as mulheres que aparecem no meu caminho. E você que está lendo isso dissemine para o máximo de pessoas que conseguir. Só a informação pode nos salvar.

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