Eu não vou me comportar

Cuidado com as palavras, com as gargalhadas, com os olhares e seus passos fortes demais. Não fala dessas coisas, concorda e fica calada. Não adianta tentar mudar nada, uma andorinha só não faz verão. Aceite, consente, não enfrente. Pare de andar com os meninos, se comporte, seja uma moça. Não é assim que deve ser, o natural é diferente você sabia? Não, eu nunca soube.

Eu me abro, me descontrolo e trago pensamentos desconcertados, vai de você me conhecer ou não. Ainda tá pra chegar o dia que a minha mente será ditada, que a minha língua será cortada e que o mundo vai parar de me ouvir. Eu não vou me comportar. Não tenho medo, nem sutileza, eu vou ou fico, eu gosto ou não. Se tô contigo é real e puro, já que fingir é um verbo burro que pra mim só existe em vão.

Se o mundo é deles eu sou do mundo

E não me importa se eu vou cair, já que o chão pode ser o palco de ensaio que me prepara, pode vir. O meu pavio é curto, de vez em quando eu surto e tudo isso sou eu. Eu não vou me comportar. Os medos todos que me impuseram eu jogo fora, o segredo é ser quem se é. Mulher com ação e vontade, sem tato ou prudência, sem permissão ou cautela.

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Emoção, grito, voz e resistência. Batom vermelho, saia curta, cabelo solto e revolto assim como sou no fim. Ser sempre legal não é pra mim. Na verdade nem me considero tão legal assim, já que falo mal, rio da desgraça e ironizo às vezes sem nem perceber.

Não valorizo os meus defeitos, só os aceito e sigo em frente, em busca de evoluções, revoluções, percepções. Meu reflexo é bem palpável, não sou difícil de ler, mas minhas frases podem ser complexas para os não preparados, os tapados e tradicionalistas.

Já odiei essa transparência que me atrapalha

Na vivência alimentada de dedos, de atenção as expressões, de calculadas ações. Mas hoje ela me serve de blindagem, de distância de quem não quero e fundamenta a certeza daqueles que conhecem a minha moral. Eles sabem o quanto sou leal aos que deixo entrar.

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E não há nada melhor que respirar sem receio, de falar sem correntes, de não se fechar pelo meio. Tem que ser livre e forte, contar com a sorte e viver por aí. Se os atos resultam em futuro, talvez pelos meus serem puros eu tenha a recompensa de tudo que já vivi. Sem farsas, sem relações convenientes, sem sorrisos amarelos.
Sou nua, sou lua, sou eu.

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E entre sons e cores me transbordo em existir. Me apaixono pelo que sinto, sem medo me entrego a vida. Falo muito, rio alto, quero sempre mais música, mais magia, mais seriados. Me distribuo entre o amor pela fotografia e pelos meus livros. Uma Jornalista em constante mutação, sem medo do mundo e com sede de aprendizado.