Fique com ele, mas vê se não esquece de mim

Por Gab Osni

Primeiro, acho que é necessário dizer o quanto você me tem transformado mais que qualquer outra pessoa que esteve comigo. Antes, brincava com o coração pretendente como se fosse pedra de atirar só pra ver quantas vezes repicava no lago. Não foi diferente com você, pelo menos não achei que seria. Você chegou como um sol de boa manhã, acabando com o sonho de um relacionamento perfeito, que um vive pelo outro, me acordando de um pesadelo.

Tentei deixar claro que você não era nada para mim. Disse que pensaria se iria contigo pro Villa Lobos na certeza que não iria, respondia três dias depois um convite… Acontece que… eu não imaginava que estes jogos em nada mudariam a tua espontânea disposição por mim.

E quando tentei me dar, descobri que teu café é mais forte, que tua camisa é mais folgada que meu pijama, que o halls preto tem outro sentido na tua boca. Quando percebi o quanto me boicotava e me perguntei “por que não deixo que ele goste de mim?” fui à bancarrota. Desaprendi o amor só para aprender a amar com você.

Foram os dois anos mais importantes da minha existência

Estava disposta a mudar meu jeito, mas não escondia que ainda estava em transformação. Foi insuportável aquele fim de semana que você foi sozinho para Búzios. Não tive disposição para sair sozinha com amigas. O pior foi quando, cheia de certeza que era você que estava jogando comigo, recebi a resposta que “não estou disposto a viver por você!

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Espero que você faça o mesmo comigo! O mundo não gira ao nosso redor!”. Foi a última vez que gritou comigo. Dali para frente, foi tudo mais intenso, foi melhor, porque eu fui liberta de uma obrigação que não existia – é por isso que te amo.

Segundo, quero que saiba que foi simples acaso do destino o que vi e não estou triste por isso. Já há algum tempo, me chamou a atenção o quanto você se preocupava onde estava seu celular para que ele ficasse seguro da minha vista.

Fiquei pensando por um tempo se minhas dúvidas quanto à sua fidelidade não eram cismas que existem em qualquer relacionamento, daquelas que sempre existiram e existem enquanto houver humanidade. Não havia porque pensar nisso: me senti a pessoa mais livre com você; não que precisasse de você todo dia, mas um “bom dia” ou um “já almoçou?” te fazia presente o suficiente para que não sentisse sua falta.

A gente tinha uma boa química…

Sua caneca encaixava nas minhas mãos como um coração que batendo, engolia doce e quente. Nas nossas camas, o formato dos nossos corpos agarrados nos esperavam sob o lençol amassado, quando não acordávamos dispersos no tapete.

Mais um tempo e a gente, a gente não, você, foi se afastando, apagando aos poucos com ausência suas pequenas declarações de amor. Aprendi na minha vida que não devo contar o tempo, muito menos a ausência porque ela é passageira, entretanto, a tua falta foi notada. Foi o momento adequado para que teorias de conspiração fossem criadas, mas não dei crédito.

O amor é simples

Foi uma infeliz coincidência te ver beijando ele, justo no dia que encontrei uns amigos no largo da Batata. Me abalei um pouco, mas acho que você não perdeu a pegada e isso me alivia. Depois daquele dia, o teu celular ficou na bancada enquanto foste à padaria – e não precisei sequer desbloqueá-lo para ler a notificação da mensagem que dizia “Você ainda está com ela? Mais um pouco e vou ter que buscar você…”, mas não chiei.

As tuas aulas foram incríveis: você me ensinou, me deu exemplos e me pôs à prova e acho que passei. Esperar exclusividade do outro é egoísmo. Como você ficou feliz em me ver mudando, estou feliz te vendo livre, mas não precisa me deixar de lado para viver uma nova aventura, porque você é lindo assim, livre. Não precisa esconder que está com ele, só não se esquece de mim.

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"É difícil se descrever quando nem você se conhece direito. Mas se quer uma descrição física, vá ao Facebook; se quer saber o que faço, procure "Engenharia Civil" no Google; se quer saber do que gosto, coma uma comida (qualquer comida!) e escute uma música(qualquer música!). Pensando bem, vou me descobrindo por meio do que escrevo e acho que vocês terão ideia do que(m) sou eu. Louco isso? Amados, loucura é querer ser normal!"