Você e essa sua mania de sempre partir

Seu sorriso, seu rosto faziam meus olhos brilharem cada vez mais. Olhava-te de cima a baixo, e pensava apenas no momento em que pudéssemos novamente viver todo este sentimento.

Era simplesmente mágico, mesmo que breve os momentos que vivíamos. Abundava-me de você enquanto podia, pois sabia que muito logo, talvez nem mais a veria. Olhava-te a cada segundo a meu lado, enquanto você consternada me questionava o porquê de tanto lhe apreciar. Encantava-me com a mistura de malicia e o corar de sua face.

Perdido não sabia ao certo o que lhe responder, o momento era uma mescla de sentimentos, que ao final tornaram-se inexplicáveis. A sensação era surreal, e a cada momento que passava, torcia para que isso se eternizasse, para que isso nunca se acabasse. Seu gosto de café, enquanto transpirávamos poesias, era minha inspiração.

Por que essa mania de sempre partir sem mesmo avisar?

Escorregava-me aos olhos uma lágrima, e no momento, na mistura de seu perfume com meus pensamentos, dava-me conta de que tudo talvez estivesse terminando. Quando pensava que talvez pudesse lhe ter por completo, deparava-me com a realidade de você novamente escorregando pelas minhas mãos.

Perguntava-me dia a dia o porquê dessa maldita mania de sempre partir. Talvez minha grande vaidade não me permitia compreender, mas tudo que queria era poder continuar com você. Capturava todas imagens que podia. Lembro perfeitamente de você, de seu olhar me dizendo que já era hora de partir. E simples assim, sem mais dizer uma palavra, lhe via pela porta afora desaparecer de meu olhar.

Fui me apaixonar justamente por você!

De tudo que vivemos, lembrava muito da noite em que lesse para mim a poesia mais bela que já ouvi. Na mistura das letras, do embalo de sua voz, embarcamos em uma viagem pelo interior de cada um.

Conversamos, contaste-me segredos, que nunca imaginavam lhe pertencer. Percorri seu corpo, conhecendo cada centímetro, cada curva, e cada encanto desse sonho que vivemos. Dizíamos palavras um ao outro, hora cantávamos e hora apenas nos olhávamos sem necessitar fazer som algum.

Ainda me pergunto, do porquê dessa besta mania de sempre fugir, de escapar de meus braços como quem foge do destino? Mas pergunto-me também o porquê dessa mania de tanto gostar de você? E entre tudo, aguardo-lhe novamente, para que juntos, talvez em uma ironia do destino, possamos terminar, as poesias que deixamos inacabadas.

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