Meu coração é uma pedra de gelo

Meu coração é uma pedra de gelo

Esses dias eu estava me lembrando de uma daquelas nossas conversas estranhas que tínhamos naquele banco no centro da cidade. Você com seu jeito sedutor e irresistível me pediu para usar uma metáfora para explicar a mim mesma, e eu, melancólica escritora que sou, rapidamente respondi que eu era um pedra de gelo.

Você soltou aquela sua risada maravilhosa que me desmontava inteira. E logo depois me disse que eu era a pior pessoa com metáforas. Tentei me explicar, me enrolei toda em minhas palavras, mas eu sempre fui muito melhor escrevendo do que falando.

Eu me atrapalhei tanto que você acabou rindo da minha incapacidade de explicação. Você riu, riu muito eu lembro, e depois eu chorei.

Chorei porque você não entendia a extensão de frio que habitava dentro de mim

Chorei porque tudo sempre me magoa e porque eu sempre magoo todo mundo. Chorei porque algo dentro de mim sempre tenta afastar quem quer se aproximar de mim. Chorei porque você estava lá achando que tudo era exagero meu, mas não era. Não é.

Mas no fim você mesmo percebeu, naquela quinta-feira, lembra? Eu esperei por você no mesmo banco de sempre e você não apareceu. Depois de muitos dias sumido acabou me ligando aos prantos, chorava igual um bebê que esqueceu o bico em algum lugar e repetia neuroticamente que não dava de segurar uma pedra de gelo com as mão nuas.

Eu ri, porque finalmente você tinha entendido a metáfora, mas depois eu chorei também. “Não da de segurar uma pedra de gelo com as mãos nuas” você repetiu baixinho antes de desligar, não da mesmo, eu respondi para as paredes rosadas do meu quarto. Você primeiro tem que se derreter para permitir que alguém te segure.

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Tags : AtitudeCarol ParisMeu coração é uma pedra de gelo