Isso é sobre toda mulher lá fora lutando pelo seu espaço

Isso é sobre toda mulher lá fora lutando pelo seu espaço

Por Daisa TJ

Estou tentando achar palavras pra explicar um sentimento que me aflige, for long while

Por boa parte da minha vida eu fui a irmã do Russo, o que é verdade e não seria um problema. Mas a verdade é que eu era só a irmã do meu irmão, muita gente nem sabia meu nome. Depois de um tempo eu cresci e me tornei a Ruivinha da foto, ou só ruivinha (enfase em ser ruiva), o que também não era um problema, adoro ser ruiva – dá muito trabalho. Porém, apesar de naquela época eu ser reconhecida não apenas por ser irmã de alguém, eu era reconhecida pela minha aparência, um avanço(?).

Depois de um tempo, dentro do meio acadêmico eu ganhei alguma notoriedade na faculdade, era a ruiva que fazia bolsa de pesquisa, via filmes europeus, estudava cinema feito por mulheres. Fora do âmbito acadêmico também ganhei algum espaço, fiz assistência de fotografia, de câmera, operação de câmera e outras coisas, ás vezes fui chamada para equipes apenas por ser a ruivinha – como me viam antes – , mas eu sempre mostrei que era mais que isso.

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Você não é você

mulher dando basta

Incomoda sabe, ser chamada para ser um enfeite. Mesmo que eu pudesse me mostrar mais que isso e quando o fazia isso ser algo incrível. Na verdade eu só estava fazendo meu trabalho, no big deal, i can be a woman and carry the whole day heavy equipment.

Mas tudo bem, eu mostrei então para as pessoas daquela região que além de um “alívio para os olhos” (como foi me dito diretamente) eu era também útil. Not so long ago, estive em um relacionamento em que as próprias pessoas que me conheciam há anos, ou da minha cidade começaram a se referir a mim como a namorada de fulano.

Eu não era mais a Ruivinha, a irmã do Russo (apesar de continuar sendo e isso nunca vai mudar), eu era a namorada do fulano, não era ele meu namorado. E isso pode parecer uma diferença sutil, eu mesma demorei a perceber. Mas isso se intensificou especialmente depois do termino deste tal relacionamento, por que ele não era meu ex, eu era a ex dele.

E eu me mudei recentemente

Para uma cidade nova onde pouquíssimas pessoas trabalharam comigo. Ou eu com elas, ou trabalhamos juntas, como preferir… Cheguei em um lugar e tenho que abrir meu espaço no mercado de trabalho. E me mostrar mais que uma ruivinha novamente (mesmo que com um diploma).

Conquistar é bom, mostrar que eu posso, que consigo, que sou boa no que faço, e posso ser melhor ainda. A conquista ser mais difícil por um gênero não torna isso mais saboroso, torna isso triste. Já fui a guria que pensou “chupa! achou que eu não conseguiria por ser mulher!”, agora é só triste pelo simples motivo de que isso não deveria nem existir.

Meu namorado e companheiro é também do audiovisual. Nessa cidade que nunca dorme e familiarizado com pessoas do meio. E isso é ótimo, ele tem contatos. Ele é incrível e me apresenta a pessoas maravilhosas. Mas eu tenho receio de cair novamente em ser a namorada de alguém, e não alguém.

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Eu quero ser reconhecida por quem eu sou

Eu quero ser reconhecida por quem eu sou, pelo trabalho que eu faço. Isso não é só sobre mim, é sobre toda mulher lá fora lutando pelo seu espaço. É sobre a diferença de salário, é sobre machismo, é sobre estereótipos, é sobre violência.

É sobre ser questionada e se questionar se é capaz de algo pura e simplesmente por ter nascido com um órgão genital feminino. É sobre violência porque nos agride por dentro toda vez que somos subjugadas, somos postas de lado, somos predestinadas ao que não queremos.

Isso que eu sou uma garota branca, de classe média, instruída, em uma família que me apóia, com amigos que reconhecem meu valor…

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