Nada de 99 por cento, aqui é 100 por cento porra!

Nada como uma boa dor de amor para te levar em lugares que tu nunca achou que estaria antes, físicos e outros nem tanto assim. Eu gostaria de escrever sobre cada decepção que carrego, mas isso seria uma tortura para quem fosse ler. Na real, meu objetivo com esse texto é trazer um pouco de paz para os corações nublados como o meu.

Vamos focar na dor, naquele vazio que fica em seu peito depois que uma pessoa sair da sua vida. Às vezes chega a doer fisicamente até quase sufocar. É tanta dor, que por um tempo parece que não tem nada pior e que nunca vai passar. Até nesse ponto é bem parecido pra todo mundo. Mas existe um tipo de pessoa espalhada pelo mundo que é bem incomum, são o que eu chamo de pessoas 100%.

Esse tipo de pessoa se doa para suas relações na totalidade, dão tudo de si apenas pelo sorriso do outro. E quando suas relações chegam ao fim, a dor é tão intensa quanto a doação realizada durante a relação. Se você acha que é uma pessoa assim, vamos começar nossa conversa com um belo tapa na sua cara, tapa que eu também me auto infligi.

O maior tesouro que um ser humano tem é o seu tempo.

Se você não concorda com isso, pode parar de ler aqui, porque não vai servir de nada o restante escrito. Mas se concorda, perceba que quando uma pessoa divide o tempo dela com você, ela está dando parte do seu tesouro a você.

Então mesmo que não seja o suficiente, ainda sim é parte do tesouro daquela pessoa. E se você acha que merecia mais, isso é ótimo. Porque significa que não temos um problema de autoestima baixa aqui. Seja grato então!

E tem mais, você tem que aprender a não ter o velho sentimento de se sentir usado(a). Porque você deu tudo o que deu por um único motivo: Porque quis! Isso mesmo, a outra pessoa não lhe forçou a NADA.

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Durante muito tempo, eu achei que ser uma pessoa 100% era uma maldição, uma burrice, era insistir no mesmo erro querendo obter resultados diferentes. Essa é inclusive uma frase do Einstein. Mas ele se refere a matemática, a física e as coisas com variáveis calculáveis. O amor não é uma variável compreensível por nós, então essa primícia não se aplica quando o assunto é esse.

Eu me frustrava em cada término,

pois sabia que o resultado seria sempre o mesmo. Porque não conseguia mudar isso em mim, amar menos ou ser menos de 100%. E todo mundo sempre me disse que eu deveria me entregar menos, confiar menos, amar aos poucos.

Por um tempo admito que até tentei. No início de uma nova relação isso é até BEM fácil de fazer, mas conforme a relação vai ganhando profundidade você acaba se entregando, e acaba sempre no mesmo resultado.

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Então é justo (eu e você que somos assim) pensarmos que isso é uma maldição, que não nos encaixamos no mundo como ele é. Veja bem, não somos vítimas de nada…. Eu já estive em uma relação em que eu agi feito um babaca durante a maior parte da relação, e isso não significa que eu não tenha me entregue 100%.

Se entregar 100% é dar as chaves da sua fortaleza para alguém que potencialmente pode bagunçar tudo lá dentro. A diferença é que eu convidei a pessoa a entrar e fui um péssimo anfitrião. E mesmo assim abri as portas da minha fortaleza, me entreguei 100%, ou seja, eu posso ser um babaca e ainda sim ser uma pessoa 100%.

O que eu quero dizer é que ser uma pessoa 100% não te torna uma vítima do mundo cruel.

Para com essa auto piedade amiguinho(a). Ser uma pessoa 100% hoje para mim tem um novo significado. Durante muito tempo eu me achava uma pessoa especial, achava que tinha algo em mim que não era comum nas pessoas.

Depois que conheci meus atuais amigos, eu deixei de me sentir especial e passei a me sentir amado. Porque alimento por todos meus amigos profunda admiração e já não me sentia mais tão especial assim.

Depois de um tempo, acompanhando uma revolução social nas relações entre as pessoas, percebi que o mundo estava ficando volátil. Vivemos uma época do “faça o que é melhor pra si”, “você tem que pensar mais em si”, “você tem que ser feliz sozinha(o) em primeiro lugar”, “você tem que se amar acima de qualquer coisa”.

Como toda ferramenta, esses pensamentos podem ser usados para o “bem” ou para o “mal”. Esses pensamentos que eram para serem usados para tirar pessoas de relacionamentos abusivos, agora são utilizados e embandeirados para justificar o “foda-se o que o outro sente”.

Isso está adoecendo as relações interpessoais e nos afastando de forma muito perigosa. Em uma época que tínhamos tudo para estar mais unidos, estamos tão voltados para nós mesmos que estamos à beira do caos emocional. No final das contas nenhum homem é uma ilha, e estamos cada vez mais morrendo sozinhos e jogados em asilos.

Em uma época como essa, pessoas como nós que se entregam 100% são como Super-Heróis,

e como diria tio Ben (Homem Aranha): – Com grandes poderes vem grandes responsabilidades!

Nós somos as pessoas que vão ensinar amor da única forma que pode se ensinar a amar. Amando, se tornando vulnerável, abrindo sua fortaleza ao inimigo! Nós temos a responsabilidade de amar incondicionalmente e tornar o mundo um lugar mais habitável. Não sinta pena de você, sinta orgulho de si mesmo.

Dói? Dói, eu sei muito bem disso. Mas como todo bom super-herói precisamos aprender a lidar com nosso superpoder, e aprender é sempre um processo doloroso. No final, eu voltei a me sentir especial entre todas as pessoas do mundo.

Porque a maior parte ama comedidamente. A maior parte não tem coragem de abrir suas fortalezas, enquanto nós somos os mais corajosos entre todos os seres humanos, não temos medo de amar. Nosso superpoder abriga milhares de corações e salva milhares de almas dentro de nossa fortaleza do amor. No final sobra uma bagunça pra gente arrumar, e essa é a parte dolorida, é nessa parte que temos que trabalhar.

Não desista de você mesmo pessoa 100%. Não desista do seu poder e da sua responsabilidade, e aprenda a lidar com essa dor aí, e continue amando, o mundo precisa da gente!

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