Não canso de me redescobrir

Na leitura eu sugiro que ouçam a música Walk do Foo Fighters, pode ser uma experiência bem bacana.

Você já parou para pensar em quantos starts precisamos dar na vida? Se redescobrir todos os dias não é algo real, mas já notou por quantos ciclos passamos, encerramos, abandonamos?

Aos risos, aos sorrisos, às lagrimas, à raiva, em meio a um erro seu ou de outro. Na escuridão, na lucidez, em meio a uma garrafa de whisky.

Aquele adeus que não aconteceu. Aquele curso concluído. Aquele CD arranhado da adolescência que você tanto gostava de ouvir, mas que se perdeu durante os dias. Aquela briga sem fundamento que nunca teve direito a acerto.

Penso que seja uma nova descoberta a cada ciclo

Um tombo no amor, uma felicidade na conquista de algo novo, um rancor por conta daquela nota baixa. Cada sentimento tão específico e tão intenso, te fazendo se conhecer melhor. Entendendo as suas falhas, os seus dons, as imperfeitas perfeições. Por vezes, de forma extremamente dolorida. Absorvendo, a cada dia, uma certa inquietude. Um certo desconforto.

Leia também: A vida pede: Moça, tenha um pouco mais de paciência

Porque nesse mundo, há pessoas que se incomodam com algumas leis da física; entendem que nem tudo que está em repouso tende a permanecer. E nem tudo que está em movimento tende a ficar.

Nos meus míseros vinte e alguns anos,

Entendi essa minha relação maluca entre estar parada e em movimento. Época essa, de transição para um novo momento. Épocas que exigem de mim alguma chacoalhada na vida porque tudo foi lentamente se tornando monótono.

Tudo que era tão colorido foi se tornando cinza. Mas então, contrariando Newton, eu que estava em repouso, quieta no meu cafofo, preciso de mais um start. É como fechar a fase num jogo qualquer. Contente ou frustrado, você fechou a fase.

Me pego parada. Numa calmaria que de tão calma incomoda. E aquela inquietude de outrora, de repente explode. Extrapola. Extravasa. Escapa. Estranhamente, me redescubro. Me pergunto se ainda sei quem sou. Me alinho novamente. Um novo curso, um novo esporte, um novo livro, um novo cafofo, um novo amor.

Cada vez que isso acontece, eu me expresso.

Meus pequenos starts pra agitar a vida, mostrar que tudo ainda faz sentido. Que eu só andava meio descentralizada do meu eu e deixado de prestar atenção no lado de dentro. E cada vez que isso acontece, eu me expresso. Expresso cortando o cabelo, comprando um par de sapatos, andando mais maquiada ou fazendo uma nova tatuagem.

Por hora, escrevendo. Esquecendo os fracassos, esquecendo as frustrações. Sendo delicada com minhas cobranças. Cedendo-me a gentileza de esquecer do outros e me notar. Entendendo que de tanto errar, uma hora eu sempre acerto. Respirando o gás da novidade que ressalta, com carinho, o quanto estou viva. Um tanto desconectada, às vezes, mas viva.

Sensação essa que me permite sair de mim mesma,

Como se alma ficasse tão leve a ponto de sair do corpo. Sensação que me faz feliz por ser quem sou. Sem comparação, sem parâmetro, apenas aproveitando meu novo start. Aquela sensação desconcertante de estar fazendo algo por si, sobre si consigo mesmo. Entendendo que um ciclo se fechou. Eu que, talvez, não acompanhei, não processei.

Você pode gostar de ler: Se engana quem acha que eu namoro pra casar

Sorte que, assim como você aperta start no controle do vídeo game, você aperta start na vida, se encontra, se redescobre com o novo e segue. Só precisa entender que o seguir envolve apertar start do lado de dentro do jogo.

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário