Não me falaram sobre você

Não te encontrei no meu horóscopo, enquanto comia pão francês na confeitaria e tomava uma média. Você não estava nas páginas do jornal de pequena circulação do bairro, tampouco no mapa astral que minha prima baixou no meu telefone. Não teve recado, telegrama, cutucada, ou qualquer aviso do destino que me preparasse para sua chegada. Porque você é sorrateiro e faz do fado opção.

A porta não fez barulho quando você entrou, o chão ficou sem marcas de sapato no piso e nenhuma nesga de vento escapou pela fresta que você passou. Foi invasor, do tipo que arma acampamento e faz morada na rotina alheia. Foi discreto e eu nem percebi que sua mão já não desenlaçava mais da minha, tinha uns dias.

Recomendo: Eu te amo em segredo

Quando dei por conta você estava lá

Controle na mão, zapeando pela tv à cabo do meu coração, me virando do avesso e roubando pra si metade da minha cama. E foi bom demais te ver andando pra lá e pra cá, com esse gingado manso de quem não tem pressa de viver. Era tão macio o “ter você por perto” que te pedi pra ficar e se achegar de vez. Mas você ficou cansado, catou as coisas e pegou um trem pro norte. Nem deu tempo de te servir o café recém passado ou o bolo que estava no forno.

Você se mandou, sem rastro, nem bilhete de despedida. Porque você é uma dessas forças da natureza que arrasam nosso barraco no meio da tempestade.Eu fiquei com uma puta insônia desde que você foi. Com um revirar constante de estômago também. Você foi e eu fiquei aqui pagando sozinha a conta desse teu amor despropositado. Custava tanto assim ter rachado!?

Você precisa ler: Quem perdeu foi ele

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário