O amor é simples e está nas pequenas coisas

O amor é simples e está nas pequenas coisas

Se há uma recompensa em não nadar por mares calmos, é aproveitar ainda mais toda recompensa já conquistada. É sentir com cada papila o gosto de sobreviver e poder contar tudo que foi vivido. Perceber a riqueza de sentidos em cada detalhe. Foi assim que percebi o quanto amo minha mulher.

Na esperança de viver um felizes para sempre, foi ela se envolver com um homem apaixonado. Mas tímido e por vezes alterado por força do cotidiano. E mesmo eu achando que ela não fez uma boa escolha para se juntar – não tenho afinidade com o verbo casar – todo o dia ela me prova o contrário.

Segunda, cheguei em casa desanimado por mais uma demissão do colega na empresa. Veio ela querendo me fazer melhor com palhaçadas e cócegas durante uma mini sessão de Chaves no Netflix.

Na quarta, foi o cansaço da academia. E tudo que houve à noite foram conversas e declarações caladas de amor, daquelas que não se fala, se percebe no olhar, se ouve no peito, se arrepia na pele.

Eu queria mostrar que aquele amor era recíproco, mostrar que a adoro, e decidi preparar um jantar.

Passei no mercado e comprei aquilo que podia introduzir a uma bela noite. Vinho, pão italiano, filé mignon, umas verduras, uns temperos… E uma torta holandesa pronta, porque nunca foi meu forte preparar doces.

Cheguei em casa e ela estava atirada no sofá de camiseta e cueca feminina, me esperando para uma maratona qualquer de série. Me estranhou com sacolas no mercado e tive que confessar o meu presente: – Mas para quê um jantar? – Porque eu te amo! – Demorei para raciocinar porque queria uma resposta elaborada, mas essa foi a melhor que poderia dar.

Da bancada da cozinha a vi tentando falar com a voz embargada

Fui até ela e lhe dei um beijo perguntando o que houve. Um “eu te amo” sempre surpreende, de onde vier, mas quando vem de quem tem dificuldade de se expressar, é um baque.

Lhe beijei sorrindo e insisti na pergunta: – Você é um idiota. – Uma lágrima molhou seu sorriso – Por que o jantar? – Mas eu já não disse? Porque eu te amo! – Foi inevitável não rir das maçãs do rosto rosadas – ao invés de se preocupar com o motivo do jantar.

-Põe uma música pra gente. Finalmente conheci a playlist que ela tanto amava e que não parava de falar tinha semanas. A primeira música foi I’m not the only one, e nem tinha começado direito pedi para que trocasse: – Mas essa música é linda! Você adora o Sam Smith! – Mas não é o momento, você ainda é a única para mim – pelo olhar dela não deveria ter falado isso – e sempre será, amor, tenha certeza.

Para minha sorte, a próxima a tocar foi Velha Infância, e na cadência dos Tribalistas a convenci de ficar na bancada e só ajudar a pôr a mesa quando tudo estivesse pronto.

Ficamos ali, revelando novos segredos

Criando novos sonhos, acabando com a única garrafa de vinho tinto que provavelmente não chegaria na mesa. Com os aspargos na frigideira, começou a tocar You Give Me Something, e desengonçado corri para junto dela, a puxei pelo braço e dançamos entre vinho, risadas e o aroma de comida pela casa.

Derrubei um pouco de vinho no cabelo dela por causa dos giros e dos pés esquerdos, mas ela nem se incomodou, aquela noite inteira estava valendo mais que um cabelo sabor uva. Bons momentos passam rápido e terminamos o jantar já era uma da manhã.

Fui para o quarto quando terminei de arrumar a cozinha e ela já estava penteando os cabelos úmidos do banho. Fiquei um tempo parado na porta, vendo ela pelo espelho: – O que foi? – Me disse sorrindo. – Nada, estou pensando qual o melhor ângulo para te admirar. – Me olhe com seus olhos e o ângulo não importa. Só me olhe. – Só olhar? Posso fazer mais que isso…

Cheguei mais perto dela, a peguei e a carreguei para cama

Fiquei em cima dela, beijando com todo meu corpo aquela moça. Já estava pronto para descer minha boca para a virilha quando ela me sussurrou no ouvido: – Desceu hoje, amor. Não posso. Desculpa. – Se desculpar? Pelo quê? – Por não deixar a noite melhor para você. – Essa noite não vai ficar ruim só porque não transamos – dei um longo beijo – a gente não pode trepar, mas nada impede que a gente faça amor. – Ela soltou uma gargalhada. – E como se faz isso? – Assim… Assim…

Não era uma menstruação que estragaria o amor da gente

Nos pegamos a noite inteira. Não houve sexo, realmente, mas a gente se beijou, se tocou, grudamos um no outro para descolar só com a luz da manhã.

É que o amor está nas pequenas coisas: na palhaçada, no arrepio, na dança, no riso, na compreensão e na vontade de conhecer o outro. É ter alguém para ficar do lado e gostar dela. É fazer com que horas virem minutos e que durem toda a eternidade.

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Tags : Gabriel Osni da SilvaO amor é simples e está nas pequenas coisasPara Ler Agarradinho