Por que há mais felinos no Snapgram que gente?

A internet tem também as suas peculiaridades. E a última delas é a incrível semelhança que está sendo criada entre o Instagram e o SnapChat. Entre estes dois só uso o primeiro – meu Zenfone não permite que o Snap rode adequadamente #SemNudes. E nas últimas atualizações do meu querido Insta há também os videozinhos curtos que são apagados após um tempo – #QueroNudes.

O que me deixou confuso é que de uns tempos para cá, nestes videozinhos o que mais vejo são gatos, felinos, gatinhos ou qualquer coisa da cultura gatinea. O que para mim não é problema, afinal também tenho foto de gatos no Instagram. O ponto é a quantidade que essa cena se repete e quase sempre no Instagram Stories.

Resolvi pensar…

Ao contrário dos cachorros, os gatos não são os queridinhos para estimação. Eles são animais solitários, são raros os gatinhos que gostam de chamego, e quase sempre miam porque querem comida ou água fresca. Quando não se incomodam com alguém que está no seu canto preferido do sofá de cochilo.

Desta forma, são animais de certa maneira autônomos, mas dependentes das atitudes humanas como troca da areia, alimentação, reposição de água, chamando a atenção dos humanos com quem convivem quando estão necessitados.

Se desse cenário que acabamos de falar tirarmos os gatos e trocarmos por gente, a alimentação, a areia e a água trocarmos por atenção, e os humanos trocarmos por likes, temos aí o cenário atual de uma das dores do mundo. Aquele em que as pessoas vivem a vida real só para se expor no mundo virtual em busca de aceitação.

Calma, acho que minha opinião sobre redes sociais é um pouco desconhecida e por isso vocês podem não entender o que digo, mas lá vai. Acredito que as redes sociais acendem uma vaidade em todos nós, porque estamos nos expondo para uma avaliação geral. E se não temos o devido retorno por  nossa exposição, ficamos tristes e buscamos uma nova forma de sermos aceitos.

Então tiramos uma nova foto com uma frase de efeito ou em uma pose mais atrevida. Quando começamos a ter alguns likes, ficamos felizes porque nos aceitaram, mas queremos ter o nosso ego mais acariciado, então usamos diversas hashtags, e marcamos famosos nas redes sociais. Inclusive já vi alguns perfis que até perguntam como devem ser as fotos daquele dia aos seus seguidores.

Percebem o carrossel que nos metemos?

Inicialmente nos mostramos como somos nas redes sociais, mas abrimos mão da nossa identidade para termos mais likes e assumir uma identidade que não é a nossa. Fazendo com que muitas meninas menores tirem fotos sensuais, mulheres em geral tirem fotos com cada vez menos pano.

Homens fitness tirem fotos nas academias todos estilosos sem que necessariamente frequentem a academia. E assim causamos a manutenção de diversos preconceitos através de um sistema de senhoria e vassalagem moderna.

E onde entram os gatos nesse cenário? Ora, sendo estes animais também solitários, a quantidade de snaps,  cada vez maior destes felinos expõe a solidão do próprio dono do animal, em momentos de pequena ou grande tristeza (que apesar de você não acreditar, estes momentos existem e acontecem com qualquer ser humano).

E como em terra de Instagram não existem tristezas, esse curto momento de exposição da real dor do mundo deve ser momentâneo, deve permanecer só em um curto período de tempo e depois sumir para que a felicidade da mentira reapareça. Daí porque eu vejo mais gatos em snaps que gente.

Por favor, jamais entendam que eu sou contra as redes sociais

Porque se fosse assim nem esta reflexão eu iria publicar. Muitas pessoas e coletivos estão indo na contramão da ordem natural das coisas e utilizando a internet como um local de empoderamento. Muitas mulheres estão assumindo o controle do próprio corpo com as redes sem necessariamente se utilizar da vulgaridade para isso. Isso é demais!

Pessoas com deficiência física que não querem perder a sua identidade se expõem para mostrar que são felizes do jeito que são e incentivam tantas outras pessoas na mesma situação a também se aceitar. Claro que, também tem alguns likes como uma consequência.

E muitos negócios com rentabilidade agradável estão aparecendo pelas redes. O que me deixa triste é a forma como Instagram e Snap são usados por algumas pessoas. Para que outros possam gostar de você, sem entender que primeiro é preciso gostar de si mesmo.

Por favor observar que é claro que tudo que escrevi é um ponto de vista baseado no meu círculo de pessoas que eu sigo, e os gatos são apenas uma alegoria. Não os maltratem, eles são animais queridos e segundo minhas crenças, filtros espirituais necessários ao ser humano.

Apenas pensem melhor na forma que se expõem nas redes sociais e aí teremos um melhor entendimento do que escrevi.


Gostou do texto? Então deixe sua opinião!

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

COMPARTILHAR
Artigo anteriorNamore alguém que se divirta com você
Próximo artigoMesmo que não venha mais ninguém
Gab Osni
"É difícil se descrever quando nem você se conhece direito. Mas se quer uma descrição física, vá ao Facebook; se quer saber o que faço, procure "Engenharia Civil" no Google; se quer saber do que gosto, coma uma comida (qualquer comida!) e escute uma música(qualquer música!). Pensando bem, vou me descobrindo por meio do que escrevo e acho que vocês terão ideia do que(m) sou eu. Louco isso? Amados, loucura é querer ser normal!"