Quem disser que pode amar alguém durante a vida inteira é porque mente

A você que amei incondicionalmente, venho por meio desta carta aberta, agradecer-lhe. Com você aprendi que amor e egoísmo não combinam. Por vezes coloquei seus desejos a frente dos meus, o que me faz sentir saudade dessa entrega e também me faz sentir asco dessa vulnerabilidade.

Aprovo e desaprovo minhas ações passionais, que misturavam sofrimento e paz. Te deixar feliz e satisfeito, me deixava segura quanto a permanência “eterna” do nosso relacionamento. Mero engano.

De tempos em tempos você ainda caminha pelos meus sonhos

Sendo estes uma brincadeira de roda do meu subconsciente. Concluo que não sinto sua falta, e sim do sentimento de entrega que te ofereci sem pestanejar. Te olhar a quilômetros de distância me faz compreender que nossas evoluções e amadurecimentos, fizeram de você (e talvez até de mim) uma pessoa que eu mesma não consigo ver amando “eternamente até que a morte nos separe”.

Porém, usarei o sentimento da vez, pra dizer que sou grata aos tantos anos e alguns meses de mergulhos profundos. De trocas de saliva, suor e “sangue”. Pelos batimentos cardíacos acelerados. Da ansiedade de te ver chegar, da irritação de te ver partir, da vontade impaciente de grudar em ti. E a vontade ainda maior de te arrancar por completo do meu peito.

Esses amores carnais deixam cicatrizes que nos orgulham de contar suas histórias. Tenho orgulho de ter disponibilizado meu coração pra amar você, tenho total convicção da reciprocidade e isso me faz ter esperança que um dia, não hoje, não amanhã, mas um dia, eu voltarei a amar.

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes atormentada, com uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...Sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)