Rainha do camarote

O final de semana promete!

As amigas chamando pra sair, porque ficar na bad nunca foi pra mim. Elas não acreditam que eu –euzinha- aqui possa estar sofrendo. Já me mandaram links de música, textos, poesias, tudo sobre superação. Todas as minhas amigas dizem a mesma coisa: – “Ele não te merecia, você encontrará alguém melhor.”

Abençoadas sejam as amigas que tentam te tirar da  sofrência. Mas aí vem a pergunta que não quer calar: Estou disposta a parar de sofrer? Bom… Vou tentar.

Enfim a sexta chegou, a semana arrastou-se como de costume. Fiquei trancada no quarto, uma hora lia, outra ouvia Jorge e Matheus, Henrique e Juliano… Queria saber onde foi que eu aprendi a sofrer no nível hard.

Mas chega de sofrer, porque hoje é dia de cantar em plenos pulmões que aquele 1% é vagabundo! Abençoado também seja o Wesley Safadão, que com suas músicas ensina que não devemos dar prioridade, nem exclusividade.

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A rainha do camarote

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Me arrumo, passo aquele batom vermelho, salto alto e bora beber todas. Na saída é aquela confusão, a amiga liga, eu estou atrasada, corro nas escadas, quase caio. Maldita Skol Beats que já me deixa tonta na primeira garrafa. Hoje é o dia de afogar as mágoas! Nada que cervejas, tequila e doses de vodka não resolvam.

Entro no carro e entrego meu celular pra ela, porque confio e sei que ela não vai me deixar mandar audiozão no WhatsApp. Dizendo que estou com saudade e que não consigo beijar ninguém e que eu troco o nome das pessoas pelo dele. Coisa pouca, meros detalhes que talvez eu nem precisaria ter mencionado.

Hoje é o dia da alegria e eu estou na minha melhor roupa.

É só sair beijando caras aleatórios e tá tudo certo. Vai que o sapo vira príncipe né?

A música está alta, eu mal consigo entender o que a letra fala, me mexo no ritmo, sensualizando é claro, ou pelo menos tentando. Entendo o refrão. “Ela trava, ela quica, na ponta ela fica.” É funk sim, e se vocês reclamarem vai ter ostentação também. Duvido quem nunca dançou funk na balada. Nada que uma quicada no calcanhar não resolva não é mesmo?

Estava tudo bem, estava mesmo. Até que o infeliz do dj resolve soltar aquele sertanejo, aquele sabe? “E hoje, mesmo separados, sinto que seu corpo ainda é meu(…)” Isso lá é música pra se por em balada? Preferia continuar quicando no calcanhar.

Não sei se o objetivo do dj era fazer com que os caras nos tirassem pra dançar, ou se ele adivinhou que eu estava ali no meio da multidão, louca pra pegar meu celular e ter uma recaída. Nesse exato momento, abraço minha amiga, com o copo de cerveja quente pra cima e juntas cantamos aquela música sofrida.

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Eu queria mesmo era estar na minha cama, olhando para o nada, sofrendo sozinha, sem telespectadores.

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Porque sofrer sozinha é o ápice da tristeza do ser humano. Já estamos tão acostumados a fazer isso que já se tornou parte de nós. Mas era necessário que eu estivesse ali, chega uma hora que precisamos pegar a tristeza e fazer uma festa.

Brincadeiras à parte, a noite com a amiga foi divertida, porque ela se empenhou pra me tirar do sufoco. Aquele carinha que eu beijei, também foi legal. Dizia Hazel Grace em A culpa é das estrelas: “A dor precisa ser sentida”. Só que chega um momento que a gente cansa de estar no quarto, dando brecha para o sofrimento.

Eu ainda sinto falta, mas agora com menos intensidade, porque relembrar os velhos tempos ajudou amenizar uns 30% da dor. Calculando isso tudo -porque eu sou de exatas- os 30% que já se foram. Mas a vontade que eu estou de sair desse raio que é sofrer por amor, dá um resultado satisfatório.

Logo posso estipular dias que posso sofrer. Sofro uns três dias na semana e nos finais de semana eu vou ser a rainha do camarote. Porque depois de tudo que passei, de tudo que renunciei por ele, nada mais justo que voltar a ser eu.

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