Talvez você não fosse aquilo que eu imaginava

Talvez você não fosse aquilo que eu imaginava

Não demorou muito para descobrir que talvez você não fosse aquilo que eu imaginava de você, bastou algumas semanas para que a realidade se revelasse. Confesso ser estranho em um primeiro momento perceber que o “príncipe encantado” havia se desfeito.

Mas pensando bem, talvez ele nunca de fato houvesse existido a não ser em minha mente. Tomando um pouco de distância, agora visualizo suas falhas, seus erros, defeitos e tudo de que não gosto (ou não suporto) em você.

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Não quero eu dizer que isso seja bom ou ruim, ou que talvez você fosse a pior pessoa do mundo. Muito pelo contrário. Busco agora apenas imaginar como que por vezes nos perdemos em coisas que existem apenas em nossa imaginação.

Talvez algumas coisas existam apenas para nós mesmos

Não é incomum ouvir de homens e mulheres afirmações parecidas com o texto acima. Já a algum tempo venho pensando e observando o quando que por vezes, algumas coisas existem apenas em nossa imaginação. Não falo em alucinações ou delírios, mas sim na idealização que fizemos de algumas coisas ou pessoas.

Criamos um ideal, buscamos a perfeição, e esperamos de fato que a figura idealizada atenda a todas expectativas que acreditamos que ela possa cumprir. Demos asas à imaginação, e vemos na outra pessoa, o que sonhamos durante toda vida.

Vivenciamos o momento, e durante o caminho tropeçamos por atos ou falas que nos fazem perceber e desconstruir a figura criada. Por vezes, ainda frente aos tropeços, insistimos em persistir, ou tentar mais uma vez, afinal também é difícil assumir que talvez o que tanto quero, na verdade não existe.

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A expectativa e os ideais são grandes geradores de frustração. Frustração por depararmo-nos com a quebra de nossa imaginação, voltando então para o mundo real. Sair do que sonhamos, e nos dar conta de que ninguém é perfeito, e muito menos de que pessoa alguma no mundo atenderá a todas nossas expectativas acaba sendo dolorido.

Entender que, o outro como qualquer ser humano possui falhas, defeitos, medos e dúvidas faz com que você compreenda que vários dos elementos que até então foram alimentados não eram reais.

Se relacionar com alguém por carência, pode ser uma armadilha

Grande parte de tudo que foi citado acima, pode estar relacionado a insuficiência de algumas relações em nossas vidas. Se relacionar com outra pessoa por carência, muitas vezes torna-se uma armadilha pelo fato de entrarmos cegos na relação.

É importante demarcar que quando falo em carência, não falo apenas na ausência de um relacionamento amoroso. Mas sim na fragilidade das relações sociais em um todo. Neste momento de fragilidade podemos acabar cegos por não conseguir avaliar as situações devidamente.

Conseguir se distanciar da situação e visualiza-la não tomado pela emoção, mas sim de forma mais racional, para conseguir compreender as variáveis que o levaram a isso. Refletir sobre o quanto esta relação que estou inserido traz consigo benefícios e acima de tudo reciprocidade de sentimentos.

Não pretendo aqui, afirmar ou passar a ideia de que devemos permanecer em um relacionamento apenas se este atender nossas expectativas, até mesmo porque seria muita ingenuidade de minha parte.

Mas sim, quero dizer, que torna-se necessário em toda relação, seja ela afetivo amorosa ou outra, por vezes poder tomar distância e conseguir avaliar ela para perceber se tudo o que a envolve e saudável ou não para você para mim enquanto ser humano.

E se o melhor neste momento for ficar sozinho?

Tendemos a sempre justificar o que não está legal no outro, culpando e fugindo por vezes de nossa responsabilidade na relação. Voltando então a reflexão, vale pensar também qual parcela de responsabilidade possuo na realidade que me cerca.

Se não está bacana, se parece que isso já não cabe mais a mim por este ou aquele motivo, vale também refletir sobre as variáveis que levaram-me a chegar em tal realidade.

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Assumir isso tudo, de certa forma é doloroso, por compreender que talvez grande parte seja derivado de meus ideias. Porém poder refletir, e mudar a realidade que me cerca em situações as quais já não me visualizo mais, ou que já não é mais saudável tanto para mim como para o outro torna-se por vezes necessário.

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