Um amor pra esquecer

Preciso de um café e de um cigarro, mentolado. Mal percebo a cafeína derramada na blusa quando é você que trago ao invés do cigarro. Tudo ainda é um pesadelo. Se eu parar e pensar que esse passado não tem mais um presente, preferiria não acreditar no futuro.

É pior que relo de pipa, tudo que tinha montado se despedaçou. Espalhado pelo tapete feito um quebra-cabeças de mil e trocentas peças. E mesmo que eu saiba encaixá-las, a imagem da desilusão está impregnada na minha mente, como fotografia de festa.

Na minha mente, imagens difusas dos nossos castelos e da minha realidade, tudo para fugir da aceitação… Que te perdi. É, o café já não adianta a não ser manchar a mesa de centro.

Leia: Se é pra doer, faça a letra de pagode fazer sentido

Só me vem inspiração

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Pego uns papéis vazios e me sento à rede da varanda, ver se expulso tudo que tenho aqui dentro. E só me vem inspiração. Lembro-me da tua pele moldada em costelas e clavículas toda vez que saía da cama. Do seu estilo pós-sexo com a primeira camisa que surgisse; nas estrias brancas, que como os arranhões que tu me deu, são cicatrizes que contam a nossa história.

E pensei no teu bico roxo das minhas mordidas, dos nudes em branco e preto, e do o nosso quarto completamente desarrumado. Perfeito para nossas sex tapes. Não coube no papel escrita melhor que uma poesia, daquelas que num pandeiro cria batuque e num violão cria um samba. Cadenciei os versos nos acordes como teu arrepio vibrava na minha voz.

Harmonizei notas na mesma sintonia que meus espasmos quando tua língua brilhava meu sexo. E cantei, alto o bastante para você escutar. Mas não tão alto para que pudesse entender que, depois de cafeína, canção e poesia, quem sambou fui eu.

Não deixe de ler: Eu desisti de você

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Gab Osni
"É difícil se descrever quando nem você se conhece direito. Mas se quer uma descrição física, vá ao Facebook; se quer saber o que faço, procure "Engenharia Civil" no Google; se quer saber do que gosto, coma uma comida (qualquer comida!) e escute uma música(qualquer música!). Pensando bem, vou me descobrindo por meio do que escrevo e acho que vocês terão ideia do que(m) sou eu. Louco isso? Amados, loucura é querer ser normal!"