Vamos falar de sexo, disse ela…

Vamos falar de sexo, disse ela…

A história começou bem assim mesmo e já passava das três da madrugada. Eu enraivecido de cansaço, pois teria que acordar cedo para trabalhar, mas ela simplesmente me acordou toda atrapalhada e virando aquele copo de água entre os soluços que se repetiam.

A cena chamava minha atenção, pois ela estava nua e apenas a luz do abajur delineava seu corpo naquele momento envolto em meia luz e meia sombra.

Mal conseguia entender suas palavras, seus choro, pois em três minutos ela deve ter resumido todo nosso namoro, noivado e vida de casados.

Foi então que comecei a entender o que se passava…

Suas reclamações tocavam a minha postura de macho, embora, de tão cansado que estava, havia vestido um pequeno e surrado shortinho dela que ela adorava dormir. Era do nosso tempo de namoro, de uns doze anos atrás. Caramba, ela estava brigando comigo e eu vestindo quase uma calcinha dela! É, eu estava em maus lençóis, ou não, vai saber.

Nos próximos cinco minutos ela desabou a chorar e eu finalmente consegui estabelecer um diálogo entre meus olhos abertos totalmente e minha mente desperta.

Seu desespero versava sobre minha pouca empolgação para o sexo, o que a preocupava ainda mais. O fato de estar usando sua roupa íntima fora a gota d’água para aquela cena deprimente de uma quarta-feira de madrugada.

Pedi que se acalmasse e esperasse um momento para que tomasse uma copo de água na cozinha. Quando retornei ela ainda estava nua, sentada à cama, ainda soluçando e, ao me ver, notou o shortinho que tanto amava. Um riso escapuliu pelo cantinho daqueles lábios que sabem muito bem me fazer tremer. Mesmo assim ouvi uma repreensão, sem êxito algum, que se diga.

Me ajoelhei e renovei meus votos de amor àquela que se fez minha metade. Disse-lhe que era apenas uma fase de muito trabalho, de sacrifício, que logo a crise passaria, que era preciso trabalhar a mais naquele mês e que meu corpo encontrava-se frangalhos tanto quanto minha mente.

Disse que a desejava tanto naquele momento quanto em qualquer outro momento do passado, pois ela me dava todas as forças necessárias para enfrentar cada dia no trabalho forçado e pedi-lhe desculpas se como marido estava meio ausente, ausente como amante, ausente como o pai de família que tinha que ser.

Foi então que ela reparou nos meus ombros e meus braços e pediu que me levantasse.

Passou suas delicadas e pequeninas mãos pelo corpo e ainda riu por causa do shortinho. Ela não havia reparado nem eu, mas estava mais magro, mais sarado, mais parecido com aquele jovem rebelde por quem ela havia se apaixonado vinte anos atrás.

Ela nua, eu de shortinho. A cena era uma piada e nós rimos. Depois nos abraçamos do jeitinho que ela adorava: perder o seu corpo nos meus braços. Envolvi-a com amor e fomos para a cama, pois ainda o sono se espreguiçava por todo meu eu.

Nos cobrimos numa conchinha perfeita que só quem ama sabe fazer, enlaçando nossos pés. Só então recordei que ainda vestia seu shortinho, aquele shortinho que mal cabia em mim! Pensei que fosse a cueca nova, aquela apertada, como toda cueca nova.

Havia pego o shortinho no escuro e mal percebi. Fui tropeçando para a cama e praticamente desmaiei de cansaço. Quando ameacei levantar-me para trocar de peça ela apenas resmungou:

_Amor, fica assim. Tá gostosinho e só eu sei. Amanhã você tira e eu lavo.

_Tudo bem para você então?

Sim, ela me respondeu. Mas deixou a piadinha no ar. No final de semana as crianças iriam para a casa da vó e nós estaríamos sozinhos. Achei estranho e sabia que meu pequeno descuido não passaria em branco. Foi então que ela murmurou:

_ Amor, no sábado estaremos a sós, você usa o shortinho de novo para mim?

Eu ri, ela riu e nós dormimos. Duas horas depois eu saía para minha extenuante jornada de trabalho mais feliz, mais contente com a chegada do final de semana e mais apaixonado com aquela mulher que sabia me excitar mesmo nos momentos tristes, mesmos em nossas brigas.

Por falar em briga, acho que ouvirei quando chegar em casa. Esqueci de trocar o shortinho, como vou trocar de roupa no vestiário da empresa na frente dos meus colegas? Vai ser um longo dia de piadas…

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